Quinta-feira, Novembro 12, 2009



Estréia hoje no FX, às 22:00.

Domingo, Setembro 20, 2009

Quarta-feira, Setembro 09, 2009



PROGRAMAÇÃO

OCUPAÇÃO UEINZZ

SETEMBRO 2009




DIA 09 - QUARTA
21h Finnegans UEINZZ


DIA 10 - QUINTA
14h filme Eu sou curinga, o enigma! (52’)
18h conferência Jean Oury
21h Finnegans UEINZZ


DIA 11 - SEXTA
14h filme Sobreviventes (52’)
19h conferência Miriam Chnaiderman
21h Finnegans UEINZZ


DIA 12 - SÁBADO
14h filmes Coisas Mínimas (1:44’);
O invisível (Entrevista com Oury 44’)
17h filme Zero de Conduta (43’)
18h conferência Jean Oury
21h Finnegans UEINZZ


DIA 13 - DOMINGO
14h filmes Enquête sobre nosso entorno
- Alejandra Riera/Ueinzz - (todos os fragmentos - 180’)
17h Fórum UEINZZ
20h Finnegans UEINZZ


DIA 15 - TERÇA
14h filme La Borde ou o direito à loucura (60’)
18h filme sobre Tosquelles
19h conferência Joris De Bisschop


DIA 16 - QUARTA
14h filme Min Tanaka em La Borde (24’)
19h conferência Cássio Santiago e Elisa Band
21h Finnegans UEINZZ


DIA 17 - QUINTA
14h filme O divã de Félix (17’)
19h conferência Laymert Garcia dos Santos
21h Finnegans UEINZZ


DIA 18 - SEXTA
14h filmes Dizem que sou louco (12’);
Os dentes de macaco (14’)
19h conferência Celso Favaretto
21h Finnegans UEINZZ


DIA 19 - SÁBADO
14h filme Min Tanaka em La Borde (24’)
19h conferência David Lapoujade
21h Finnegans UEINZZ


DIA 20 - DOMINGO
14h filme Entrevista com Guattari (As pulsões) (32’)
16h Fórum UEINZZ
18h conferência Juliano Pessanha
20h Finnegans UEINZZ com a
Orquestra de Cegos de Lívio Tragtenberg



• Para as conferências, as senhas serão distribuídas com uma hora de antecedência na unidade.
• As conferências de Jean Oury (dias 10 e 12) e de David Lapoujade serão transmitidas ao vivo na Internet, pelo site do Sesc (
www.sescsp.org.br).


Domingo, Agosto 23, 2009






"bootybabeart", do Spencer Davis


Dessas aqui dá pra ter uma coleção. E têm um corpo "real" (naquelas), nada de lipo, corpo de Barbie...ainda faltou a barrigudinha funkeira, mas essa aí embaixo ficou bem próxima.













O catálogo é bem maior, vou indicar pro Fabinho; quem sabe não aparece uma lá na casinha, rs...quem quiser pode conferir no site do cara: www.bootybabeart.com

Tem até umas "periguetes" brasileiras, como podem ver...

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

Quarta-feira, Agosto 12, 2009


Como ser um grande escritor








você tem que trepar com um grande número de mulheres
belas mulheres
e escrever uns poucos e decentes poemas de amor.

e não se preocupe com a idade
e/ou com os talentos frescos e recém-chegados.

apenas beba mais cerveja
mais e mais cerveja

e vá às corridas pelo menos uma vez por
semana

e vença
se possível.

aprender a vencer é difícil -
qualquer frouxo pode ser um bom perdedor.

e não se esqueça do Brahms
e do Bach e também da sua
cerveja.

não exagere no exercício.

durma até o meio-dia.

evite cartões de crédito
ou pagar qualquer conta
no prazo.

lembre-se que nenhum rabo no mundo
vale mais do que 50 pratas
(em 1977).

e se você tem a capacidade de amar
ame primeiro a si mesmo
mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma
derrota total
mesmo que a razão para essa derrota
pareça certa ou errada -

um gosto precoce da morte não é necessariamente
uma coisa má.

fique longe de igrejas e bares e museus.
e como a aranha seja
paciente -

o tempo é a cruz de todos,
mais o
exílio
a derrota
a traição

todo esse esgoto.

fique com a cerveja.

a cerveja é o sangue contínuo.

uma amante contínua.

arranje uma grande máquina de escrever
e assim como os passos que sobem e descem
do lado de fora da sua janela

bata na máquina
bata forte

faça disso um combate de pesos pesados

faça como o touro no momento do primeiro ataque

e lembre dos velhos cães
que brigavam tão bem:
Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.

se você pensa que eles não ficaram loucos
em quartos apertados
assim como este em que agora você está

sem mulheres
sem comida
sem esperança

então você não está pronto.

beba mais cerveja.
há tempo.
e se não há
está tudo certo
também.




Charles Bukowski.

Domingo, Agosto 02, 2009

Sexta-feira, Julho 31, 2009



Amanhã o Interlúdio, (Frei, Lucas, Pedro Zanchetta e o batera que eu ainda não conheço) tocam lá no sebo do Deusdete, o antigo Mobile.
Parece que teve que mudar de nome prá Arquipélago, que é bom também, como diria o Maomé.
Quem não tá mais por lá é o Rodrigo, se bem que deve dar as caras também, vamos ver..
Nafaxa, só juntar os caraminguás e colar.




!Abrass..


**

E hoje me mato pra acordar, pego o Sacomã, já melhorzinho, e recebo a notícia que não teremos aula até dia 17 também. Ceeerto então.

***

O velho caso da "Vodka Delet" ataca novamente.
Tinha um mal pressentimento junto com o gosto de cabo de guarda-chuva na boca, que só foi confirmado quase 20 dias depois do caso:
Lavei o sofá da casinha inteiro na despedida do Kido e do Escobar...
Claro que deu PT e o sofá foi direto pruma caçamba. Agora é dar as caras lá e pedir as desculpas formais pros boleiros.

****

Terça-feira, Junho 30, 2009

Sábado, Junho 27, 2009

O IMPERADOR DO OLFATO



Esse livro eu achei na biblioteca, fuçando na área de medicina (!?!)
O post ficou longo pela citações, mas é que eu fiquei besta com o mundo que o cara apresenta, já que é uma realidade completamente diferente de tudo que eu conheça (eu adoro esse tipo de coisa).
Foi como um surdo lendo descrições das maiores obras já criadas na música. Porra, quase choro porque sou "surdo do nariz". (o nome de quem sofre dessa deficiência é "anosmático, por sinal, como descobri ali também)
Luca Turin, o cara da foto com sua mulher, Tania Sanches (pois é, o cara não é viado) escreveu um guia de perfumes que desandou a vender na França, no começo dos anos 90, e assim conseguiu se aproximar dos criadores tão bem escondidos pela indústria do perfume, loucos para descobrir quem era o cidadão que melhor definia odores que já ouviram falar.
(...)"São os perfumistas que transformam as instruções confidenciais das visões religiosas e alucinações estéticas nas casas de Dior, Calvin Klein e Givenchy - obsessões, venenos, ciúmes e alegrias.(...)
Essa corrida atrás de Luca Turin é explicável porque, até então, os perfumistas só ouviam descrições como as dele nas instruções para se criar um perfume. Instruções como: "Queremos o aroma de velas antigas se derretendo em salões de mármore italiano durante um inverno chinês"
E começa a diferenciar o olfato dos outros sentidos: (...)"Sabe, há um aspecto do olfato que parece faltar nos outros sentidos. Quando escutamos uma música, podemos identificar o compositor, pelo nome. "É Bizet, é Glass." Mas quando experimentamos um aroma famoso - Chanel N 5, Shalimar, Charlie, CK One, Opium - embora muitos tenham sido realmente projetados pelo mesmo perfumista, nunca identificamos o seu criador. Não há "assinaturas" nos perfumes."(...)
Bom, o livro se desenvolve em torno da luta para comprovar sua tese de que os odores são captados pela vibração, e não pela forma dos receptores e das moléculas, como se acreditava; e o cara se fode bastante no caminho.
Até aí, você pode pensar que é só mais um livro viajandão, dizendo que "a realidade é música" (coisa que eu acredito), que citam física quântica como eu citaria, sei lá, dodecafonismo.
Mas tá bem explicado. E nem é o melhor da obra, que é uma reportagem; por sinal.
O livro tem esse objetivo, mas a melhor parte (de longe) são as caracterizações de odores que o cara cria. Vê só:
(...)Ele pega um grupo de frascos. "Certo, estes são ótimos. Oxano." Faz uma pausa e diz: "Manga com suor". Você cheira. É, exatamente, suor quente sobre uma fruta madura. (...) O odor é uma mistura fraca de suor e fruta tropical com uma nota "verde" semelhante à maconha. É usado na perfumaria mais ou menos como os trombones são usados na orquestra, conferindo força e rico viço a praticamente qualquer composição.(...)
(...)"Vertelon: licor de cogumelo. Mais uma vez, este odor complexo que você está sentindo é uma única molécula. Os cogumelos são ao mesmo tempo limpos e sujos; são criaturas que nascem frescas da podridão. Vertelon limpa um perfume, como quando se derrete querosene sobre uma folha opaca de papel e se observa o papel tornar-se translúcido. Estou trabalhando no momento num cogumelo oriental que vai ter o aroma de sexo, mas de sexo limpo(...)
Não que ele queira sempre sexo limpo (acho que ninguém quer, na verdade, sexo não é coisa pra quem tem nojinho, como disse um amigo).
Numa piadinha com outro cientista, diz que os americanos provavelmente usariam antibióticos para matar 90% da comida produzida na França...
Mais pra frente, uma cientista/perfumista lhe pergunta o que ele acha de uma nova fragrância.(...)"Era algo que ela tinha criado para Escada. Ele a inalou, dissse que era maravilhosa, que era como uma dessas sedas que têm duas cores, dependendo de como a luz a atinge. Caron olhou para ele demoradamente. Enfiou a mão na sua escrivaninha e de lá tirou a instrução das pessoas de Escada, e lhe entregou o papel. Ela apontou: leia aqui. Ele leu: "Queremos que tenha o aroma das sedas que têm duas cores, dependendo da luz."(...)
!?!Dá pra acreditar nesse cara?!?
?!?E a mina que fez o cheiro então?!?
Bom, tem coisa pacarái legal no livro, tipo histórias que um portador de moleton como eu nunca saberia, como porque a Coco Chanel tinha esse apelido, etcetera, mas vou poupar o leitor e dar só mais uma palhinha, uma crítica sobre Rush (Gucci); cinco estrelas no seu guia:



"Gucci não deu nenhum passo errado por algum tempo, os dois perfumes Envy foram marcos, e eram grandes as espectativas em torno de sua última criação.
A primeira fungada me deu um choque de reconhecimento, como um rosto familiar mas há muito esquecido; e passei alguns minutos vasculhando a memória em busca da impressão original...Dioressence!
Não tudo, entenda, apenas um pouco do que eu gostava, o que no original acontecia duas ou três horas depois de iniciada a história e criava a sensação de um sopro quente sussurrando coisas loucas no meu ouvido.
Esse sopro está de volta, agora forte, berrante, irresistível; um vento ardente apropriado para manter todo mundo bem acordado e tramando indiscrições...
O encanto desse perfume é inteiramente criado pelo homem, sem menção à Natureza, por exemplo, flores, etc..Tem o aroma de uma pessoa.
Para ser exato, graças à nota leitosa de lactona, tem o aroma do hálito de um bebê misturado ao laquê de sua mãe...
O que Rush realiza, como toda grande arte, é criar um desejo, depois satisfazê-lo com memórias falsas de um passado inventado..."(...)

Tava faltando mesmo umas "madeleines" num livro sobre olfato...mas ele não caiu nessa, eu só tô citando pra encher o saco da Fran mesmo, rsrsr...

Quarta-feira, Junho 10, 2009

!Escobar de volta!



É só por umas três semanas, mas o rapaz tá na área novamente.
Dei sorte de abrir o e-mail ontem depois de quase duas semanas e ver que o feladaputa ia dar uma passada pra encontrar os boleiros.
Tomei um banho e dei as caras por lá depois de muuuito tempo.
Já tá na hora de largar a fase anti-social mesmo...
Cheguei lá e tudo fechado, ninguém em casa.
Sentei no meio-fio, lembrei que que não tinha o telefone de ninguém pra dar um toque da minha (inesperada) presença e começava uma tediosa partida de sudoku no celular quando o Alex chegou pra salvar a pátria. Sempre bom encontrar os caras.
O Carlão eu não via desde o ano passado...e ainda ficaram faltando vários pra rever.
Hoje tem jogo, embora seja daquela seleçãozinha do Dunga, mas já deve servir de desculpa pra encontrar a banca novamente.
Pelo jeito vou ter que lavar o boné da sorte e devolver pro verdadeiro dono...
?Será que dessa vez a Amanda conhece a casinha?

Quarta-feira, Maio 13, 2009


Cremaster (episódios 1 e 5)- de Matthew Barney serão exibidos hoje às 8 lá no Itau Cultural. Já começa estranho, porque o cara começou com o episódio 4, depois fez o 1, o 5 e o 2, para só depois fechar com o número 3.
Cremaster é o nome de um músculo que move as gônadas, aquele movimento que o saco faz conforme a temperatura aumente ou diminua.
As imagens que vi me instigaram, mesmo porque sempre curti meus pesadelos...parecia belo, cruel, e orgânico (eta palavrinha"artística").
A narrativa eu ainda não sei se existe, ou se é aquele esquema David Lynch; de deixar todas as pontas soltas e fazer você procurar sentido onde só tem um novelo de lã mesmo. Tomara que não exista, mas tá bom de qualquer jeito.
Da primeira vez que foi exibido por aqui não consegui ver, e hoje deve rolar uma fila também, então quem quiser conferir, é melhor chegar cedo, que é sessão única.
Aí embaixo vai o link comentando a obra do cara (é, é o marido da Bjork...)

http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/1549,1.shl


Quinta-feira, Abril 30, 2009

!!!VAI PRÁ CIMA DELES SANTOOOS!!!


*GUGA, HOMEM-GOL.





E na terça tava sem dinheiro nem pra passagem pra chegar no curso (mesmo assim, valeu o Cassavetes), então rolei mais um pouco na cama, tomei um banho e fui até o Masp, ver o Vik Muniz e o acervo permanente (que tá fechado, tão montando a exposição do ano da França no Brasil).
Falar pra vocês que nem com a muvuca que enfrentei nessa terça-feira gratuita vou ser mal-humorado, botar banca de crítico de arte e falar em superficialidade, arte comercial, apelo populista, blábláblá...
Com tanta charlatanice artística por aí, você olha pras obras do cara e vê beleza (ainda que estetizada, tá certo), e isso vale muito prum cara que admira poças d'água na rua, parafraseando o Mario.
Além disso, o cara trabalha. Não é só o efeito especial de usar diamantes e caviar em uma obra, restos de carnaval pra fazer um moleque de rua em outro (como "crítica social" é primário, essa eu não vou defender não). Mas fiquei um bom tempo olhando a gueixa em pó.
E popular por popular, também quero ver as esculturas gigantes do Ron Mueck.
Enfim, informação inútil; procurei um pouco e achei essa história (pinçada do site do Masp mesmo, que eu tô sem tempo pra pesquisas):
"Filho de um garçom e uma telefonista, Vik Muniz foi criado em São Paulo, onde iniciou seus estudos de arte, e chegou aos Estados Unidos graças a um acidente. Depois de apartar uma briga na rua, acabou sendo atingido por um tiro na perna. O autor do disparo era a vítima que Muniz tentava defender na briga . Para compensar o transtorno, o homem ofereceu-lhe uma boa quantia em dinheiro que acabou por financiar sua viagem a Chicago, em 1983. Dois anos depois ele foi para Nova Iorque, onde vive até hoje."
Good night and good luck...

Faces




Nessa segunda-feira juntei as moedas e fui assistir o Cassavetes lá no Belas-Artes.
Tava lendo o blog do Pierre e lembrei de perguntar pro meu amigo Google se sabia de alguma novidade, já que nem na 2001 da Paulista eles tinham algum do cara pra mim (é mim mesmo, não é eu, viu, Amandita?) assistir. Tava procurando "A morte do bookmaker chinês" e "Husbands", que passou na Globo dia desses de madruga e eu acabei perdendo, quando vi que ia rolar esse ciclo. Bom, foda ter que escrever tão rápido aqui sobre isso, mas já que o tempo aqui no computador tá escasso, fica só a letra pra quem puder assistir; hoje deve ser a última sessão.
Ainda tem "A women under influence", "Opening Night" e o primeiro, "Shadows", um por semana.
Por mim, não perco nenhum.


MANIFESTO SOBRE O CAFÉ

09/03/09

Parte 1, por Julião.

A quem possa interessar.

Por volta de 2004, estava eu mais ou menos 13 anos morando fora de São Paulo, em Assis, no bom e velho oeste paulista, trabalhando há 5 anos em meu próprio negócio chamado Mundo Cão - um salão de banho e tosa para cães e gatos - do qual saía meu sustento e proporcionava o dinheiro que eu precisava para organizar os festivais de Punk e Hardcore em Assis (que rola até hoje por lá), junto com o Lucas e o Tiago, meus sócios na produtora independente Produções Peçonhentas ( producoespeconhentas@yahoo.com.br )e parceiros na banda Os Baratas Grandes ( www.myspace.com/baratasgrandes )
Num belo dia recebi a visita do amigo de São Paulo, Marcio Fidelis, que recém havia comprado o Caffeine SoundStudio, junto com o Fernando Pastorelli. E o Fernando estava namorando uma garota do sul e decidiu morar com ela em Porto Alegre meses depois. Com isso, o Márcio precisava de outro sócio e veio me convidar. Como estou envolvido com o rock e suas atividades marginais desde os anos 80 – precisamente desde 1986 - resolvi dar outra virada radical na minha vida e aceitei a proposta.
O Pastorelli queria R$6.000,00 na parte dele, como eu não tinha o dinheiro no ato, vendi meu carro Parati (que era meu e da minha irmã) e paguei o Pastorelli em 3 prestações de R$2.000,00, certinho, conforme o prazo combinado.
No dia 14 de julho de 2005 me mudei (novamente) para São Paulo, e instalei meu quarto na sala de shows do Caffeine Pamplona, então o Márcio e eu intensificamos o ritmo de atividades do Caffeine. E foi ótimo, organizamos vários shows – em 7 meses foram mais ou menos 30 matinês com a média de 4 bandas se apresentando no nosso palco (ou quarto) -, e tínhamos na agenda ótimas bandas que ensaiavam e gravavam com a gente, e amigos muito queridos que também nos ajudavam na organização... aquela força! Até que um dia um vizinho que morava na vila comercial que ficava atrás da sala de ensaios do estúdio – do qual ainda não tínhamos conhecimento - levou dezenas de queixas à Subprefeitura de Pinheiros sobre o barulho que o nosso rock causava para o seu sossego, e isso foi publicado no jornal Folha de São Paulo. A matéria que lacrou de vez as nossas portas – parodiando os Rolling Stones -: “É só Rock’n’roll, mas incomoda”.
Como tinha acabado de trazer minha família de Assis – por causa do Caffeine - eu estava com vários compromissos paralelos assumidos, tipo o aluguel, água, luz, telefone, compra do mês, ração dos meus animais e precisava arrumar um trampo urgente para não me ferrar e não ferrar junto a minha irmã e os meus bichos: cachorros, gatos, peixes, pássaros, e uma tartaruga. Foi quando eu decidi sair da sociedade e vender a minha parte pra duas pessoas que o Márcio havia escolhido para ficar no meu lugar: o Luis e o Renato.
Resolvi vender pelo mesmo preço que havia comprado, R$6.000,00, o que daria R$3.000,00 pra cada um deles pagar. Quando saí da sociedade deixei uma dívida de R$1.500,00 de contas do mês anterior que seria descontada no valor da venda, então eles teriam que me pagar R$4.500,00. Isso foi em março de 2006.
Passaram MAIS DE DOIS ANOS sem que eu recebesse 1 CENTAVO se quer. Ainda assim trabalhei, ralei e deixei que essa dívida perpetuasse porque eu não queria que o nosso Caffeine morresse. Em outubro de 2008 o Márcio decidiu oficialmente sair dessa sociedade e me chamou para acertarmos a situação.
O Renato e o Luis quiseram continuar com o Caffeine, mesmo ao nosso contra-gosto. De qualquer forma, combinamos que eles acertariam comigo parcelas de R$500,00 por mês a partir do dia 20 de dezembro – data estipulada pelo Renato/Luis. Chegou a data (20/dez/08) e nada da grana, e nem mesmo um telefonema de satisfação, e eu outra vez me via na situação chata de ficar cobrando os caras que novamente falaram, colocaram prazo, prometeram e não cumpriram, outra vez. E no dia 20 de janeiro (que seria a segunda parcela), me depositaram somente 200 reais, e reclamaram que haviam depositado pra mim 300,00 – o que também não foi porque não entrou no meu extrato do banco. Como eu já estava de saco cheio de ter que correr atrás desses caras para eles começarem a pagar a velha dívida do velho acordo, decidimos (o Márcio e eu) não vender mais nossas coisas e passamos lá para pegar o que era nosso, nada além do justo. Pegamos então os equipamentos de ensaios (2 P.A. de voz, 2 amplificadores de guitarra, 1 ampli de baixo, mesa de som, potência, a velha Medusa quebrada, a bateria Mapex totalmente desfigurada e sem as ferragens, 2 caixas passivas para Cabeçotes, 25% do isolamento acústico que estava sem uso, e somente isso. (Deixamos os móveis, o notebook e o computador ambos que foram presentes dos amigos da minha ex-banda Erege (BR – UK), deixamos lá na Pitangueiras também os microfones, a placa de som usada para gravações, e enfim, pegamos somente o que era nosso, nada além.
O Renato e o Luis ficaram indignados com nossa atitude e soltaram por aí que eles foram roubados: "... ajudar o Estúdio Caffeine a continuar
suas atividades e se levantar do infeliz roubo sofrido no mês de
janeiro, quando todos os equipamentos do estúdio foram levados".
Acontece que tudo o que levamos está em papel e em nosso nome. Tenho todos os recibos que paguei para o Pastorelli (em 2005), e o Márcio tem o contrato assinado de quando comprou o Caffeine do Washington Bebassa – fevereiro de 2005.
Acontece que eu sempre fui muito honesto, honrei minha palavra, e quando eu não poderia honrá-la, eu não fazia promessas e nem assumia o que eu não poderia manter e cumprir. E deixei que por quase três anos eles usassem as aparelhagens, o nome e o conceito/história do Caffeine, e agora eu estou sendo chamado de ladrão!! Ladrão é o caralho!!
É muito triste ver como as pessoas distorcem as coisas para não assumir sua própria culpa por não ter uma palavra honrada. E como minha irmã disse pro Renato ao telefone – quando ele ligou aqui em casa para reclamar do sumiço do equipamento -: “nesses mais de 2 anos você nunca ligou aqui em casa para dar uma satisfação sobre o dinheiro que você nos devia, e agora você ainda liga para nos cobrar? ... homem que é homem tem culhão e honra a sua palavra!!!”.Eu, Julião, estou escrevendo esse manifesto para me defender (e ao Márcio também) dessa calúnia. Se fui um idiota em deixar esse equipamento e esse sonho do melhor para o Estúdio Caffeine com o Luis e o Renato por mais de 2 anos sem receber nada, é porque ainda confio na palavra das pessoas. E tinha a esperança que fossem acertar comigo da forma como combinaram, coisa que jamais iria acontecer. E também escrevo para deixar bem claro que tomamos essa atitude para não deixar nenhum filhinho de mamãe me fazer de otário brincando de rock com as minhas coisas e falando calúnias pelas minhas costas.

Somente tomando essa atitude consegui andar com a cabeça erguida novamente!!!


Julião Cerqueira, fevereiro de 2009.

Quinta-feira, Março 19, 2009

ÍDOLOS


Quem era santista em 95 lembra bem do Giovanni.
Na verdade, quem era vivo em 95 aqui no Brasil deve lembrar bem dele, já que foi um boom de neguinho pintando o cabelo de laranja (antecipando a moda pagodeira).
Era dezembro e eu fui "Testemunha de Giovanni".
Literalmente. A final do Brasileiro caiu no dia em que fui crismado.
Me lembro bem da expectativa, a gente na frente da porta do hotel vendo o time sair para o Pacaembu.
E depois, a derrota mais doída, roubada.
Eu e meu pai quase demolindo o armário do quarto na porrada.
Enfim, fui crismado na derrota.
Mas a importância daquele time pros santistas...
Devolveu o orgulho.
Pra mim foi mais tão ou mais importante que Robinho e a geração de 2002, pela época em que aconteceu. Eu tinha 14 anos, porra!
É a fase em que o futebol bate mais forte, 13, 14 anos; já que ainda não tem as mulheres pra rivalizarem em importância.
E vê-lo jogando por outro time, contra nós foi foda.
Não era pra ter terminado assim.
Teria conquistado aquela Libertadores de 2005 com o Robinho, se os bambis não conseguissem inventar uma regra na véspera e tirá-lo das semifinais.
Depois veio aquela palhaçada de jogo contra o curintxa anulado, revolta, bicuda pra fora do estádio e exclusão do clube pelo Luxa, que preferiu Geilson, Jonas e outras dragas no ataque do que usá-lo como pivô.
Águas passadas.
O que aliviou (muito) foi a estréia do Neymar, 17 anos, com a 7 do Robinho, na noite de saudosismos, com direito a soco no ar pra comemorar gol e tudo.
O abraço dos dois no final da partida.
Os ídolos do futebol ficando mais jovens que eu.
E asi se pasan las horas...


PANACAS




Era aquela época em que as primeiras locadoras de video apareceram no Brasil.
Eu ainda era um moleque que não perdia "Os Trapalhões" de domingo nem a pau e madrugava noites pra assistir filmes de terror nos dias de semana com a minha vizinha, tia Dalva, quando dei de cara com comédias como "Férias Frustradas" e o nonsense de "Apertem os cintos, o piloto sumiu" (esse na seção da tarde mesmo).
Um pouco depois, veio "Corra que a policia vem aí", na mesma linha de estupidez e cara de vazio, inaugurando um filão de filmes-paródia dos blockbusters em cartaz. De lá prá cá, as que me faziam rir foram rareando cada vez mais (tentando lembrar agora, só me vem à cabeça "Quanto mais idiota melhor"), apesar de serem produzidas em número cada vez maior.
Mas nessa época, tudo que eu queria dum filme era rir ou sentir medo e tive o prazer de conhecer panacas como Chevy Chase, Steve Martin e Leslie Nielsen.
Tô falando sobre isso não pra entrar numas de saudosismo-trash, mas pra dizer que só fui matar a saudade do Chevy Chase quando conheci os filmes do Will Ferrell; numa das muitas sessões na casinha.
E eu, que não dava nada por aquele cara (que me passava quase despercebido no "Saturday Night Live"), não parei de rir mais.
No final das contas, claro que eu curto cabecice, mesmo em comédias, mas tem hora que eu só quer rir de verdade.
Ou melhor dizendo, GARGALHAR de verdade.
Agora é só saber que o panaca tá no elenco que eu me disponho a ver o filme.
Hoje tem reprise do "Escorregando para a Glória" (Blades of Glory) que, apesar de ser até "antigo" pros padrões dele (que tá sempre filmando alguma coisa), eu nunca assisti. Tava precisando mesmo dar umas risadas.

Sexta-feira, Março 13, 2009

Acabou passando em branco por aqui a data de falecimento do Updike, de quem só li o Busca meu Rosto.
Gostei muito do livro, que ao contrário da imagem "putaria swingueira 70's" que eu tinha dele por conta daquele famoso "Casais Trocados", trata do encontro de duas mulheres.
Uma, jovem jornalista que vai ao ateliê da outra, pintora de 79 anos que foi casada com dois dos maiores pintores de sua época,(nitidamente decalcados de Pollock e Warhol).
Se, a princípio, tudo o que queria era conseguir uma entrevista sobre essas "personalidades" , se depara com uma mulher e sua vida; que pinta cada vez mais próximo dos matizes de cinza.
Paro por aqui.
As epígrafes dele me marcaram, fiquei com elas na cabeça desde a primeira vez que li, então acho que cabem aqui:



"Quando tu disseste: Busca o meu rosto, o meu coração disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei."

-Salmo 27.

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"A antiga regra ainda norteava os livros, Fruto da idéia de que a beleza visível Reflete, em pequeno, a beleza do ser."
-Czeslaw Milosz, A treatise on poetry.

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"O que dirão os filhos de nossos filhos Sobre nossa arte monstruosa no futuro Quando a paz cristã tranquilizar as nações E, qual no esplendor da Renascença, a pintura Voltar a ser magnífica e (espero eu) sagrada?"

-Karl Shapiro, Trial of a poet.




John Updike (1932-2009)

Aconteceu bastante coisa nesse tempo sem escrever.
Não vem ao caso agora.
Só falar que hoje, sete e meia da manhã, ônibus sentido Cambuci; "aumentei o volume do foda-se" e passei do ponto em que tinha que descer.
A mente esvaziada, ficando prá trás aula, padaria, sentimentos, caminhões, Museu do Ipiranga, responsabilidades, cabeleireiros, esquinas, questionamentos, e barracos (de madeira).
Qualquer coisa que não fosse a paisagem, cor em movimento, vento no rosto, gente zanzando, eu perdi por inércia.
O corpo foi e a lembrança ficou (uns cinco quarteirões pra trás).
Não queria parar nunca mais, o que me fez saltar do ponto final do Sacomã pra outra linha (bendito bilhete único).
A vontade era percorrer o litoral inteiro até as pálpebras pesarem e só acordar no sonho.
Quando eu acho que já cheguei no limite da vagabundice, arranco uma última irresponsabilidade do fundo do bolso.
Fui parar pra lá do zoológico (devia ter parado pra ver os macacos do Tokuda), pra lá do Pque. Bristol, pra lá de prá lá...
E depois, a volta.

Domingo, Dezembro 14, 2008


Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Hoje tem a reportagem do reencontro do melhor ataque de todos os tempos. Mais informações no link abaixo:



http://santos.globo.com/clube_historia_ptexto.php?cod=17089&

Acho que dessa vez vai.

Marquei a operação de desvio de septo pro dia 20, também conhecido como "próximo sábado", e devo ficar de molho um tempo depois. Menos mal que vou fugir do sentimento triiiste de num ter grana enquanto chega o Natal, e aquela praia que convoca todos pro fim do ano.
O negócio vai ser me internar com uns dvd's alugados ou emprestados( quem puder contribuir, posso pegar até a véspera, prometo cuidar e devolver ano que vem).

Passei lá no Lucas depois de muuuito tempo sem ver o cara e pelo jeito tá tudo bem. Só num deu pra pegar emprestado nenhum dos livros do Rumi que ele tem (um menorzinho que não lembro o nome e o Masnavi), já que um deles quase sumiu por uns tempos e ele tá meio traumatizado para novos empréstimos.
Daí que eu só anotei um dos poemas que tava procurando faz tempo pra postar por aqui. Foi o primeiro dele que eu li e bateu de cara.






PROMESSA




Noite passada fiz outra vez a promessa:

jurei por tua vida jamais desviar os olhos de tua face.





Se golpeares com a espada, não me esquivarei.

Não buscarei cura em mais ninguém,

pois a causa de minha dor é ver-me longe de ti.





Joga-me ao fogo;

se deixares escapar um suspiro

não serei homem de verdade.




Surgi do teu caminho como pó.

Retorno agora ao pó do teu caminho.





Jalad ud-Din Rumi







No mais, me preparei pra recuperação retirando da biblioteca o "Big Sur" do Henry Miller, pra rever depois de um tempo também (esses amigos que ficam tanto tempo sem se ver...foda viu?) e o "Reino do Medo" do Hunter Thompson pra me divertir se a grana pra alugar filmes tiver curta. Meu último Aturgyl tá acabando e eu não vou comprar um novo. Ano que vem respiro melhor.







*Ps.: *Ah, ia quase me esquecendo, agora posso revelar:
Vou ter que ficar um ano sem fumar nem unzinho, promessa pro Santos não cair.
E já tá valendo. !Abrass...



Da série "Imortais", Bettie Page.

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008




"Para ser pintor é preciso estar verdadeiramente engajado. Uma vez obcecados com isso, podemos chegar ao ponto de pensar que a pintura poderia transformar a humanidade. Mas quando a paixão o abandona, não há mais nada a fazer.
É melhor então parar completamente. Porque, em sua essência, a pintura é pura estupidez."



Gerhard Richter, em conversa com Irmeline Lebeer.


Quinta-feira, Dezembro 04, 2008



George Best,(22/05/1946 - 25/11/2005), irlandês loco que (dizem) jogava muito, tanto pelo Manchester como pela Irlanda do Norte, e que a cirrose levou, deixou umas frases boas:

"Dizem que tentei dormir com 7 Misses Mundo. Não é verdade. Foram apenas 4. As outras 3 é que vieram atrás de mim."


"O David Beckham não sabe chutar com a perna esquerda, não sabe cabecear, não sabe fazer faltas e não marca muitos gols. Fora isso, é um bom jogador."

























"Gastei muito dinheiro com mulheres, bebidas e carros velozes. O resto eu desperdicei."




"Em 1969 abandonei o álcool e as mulheres. Foram os piores 20 minutos da minha vida."



E a Amanda tá fazendo um curso de culinária ayurvédica que vai até o fim de semana, mas vou dar um jeito de encontrar com a minina. Peguei até um livro sobre o assunto na biblioteca, já que não entendo picas do assunto.
O bom é que eu também tô numas de limpar o corpo um tanto, jejuar de leve, tomando água pacarai, essas coisas.
Foda mesmo é ficar sem ler, ver tv, ouvir um som. Esse retiro eu ainda não fiz.
E olha que meu olho tá pedindo descanso. Tava com a vista cansada, seca, então por enquanto vou pingando um colirio que o oftalmologista receitou.
Ah, falando nisso tem mais uma notícia: Tenho que usar óculos!
Ainda tô me acostumando com a idéia, embora já soubesse disso desde antes de entrar na faculdade. Idadeidadeidade...1 grau no direito e meio no esquerdo.
Só pra maltratar um pouco mais a vida dessas retinas tão cansadas, aproveitei e fugi da minha onda "místico-vibracional" e peguei o primeiro volume das cronicas do Bob Dylan. Tô andando com o dito cujo prá cima e pra baixo.
Também tentei encontrar a música "California" dele (I got my dark sun glasses...) que eu ouvia que nem louco quando trabalhava no sebo, mas não encontrei gravação nenhuma, se alguém encontrar, dê um toque, por favor.
E é isso aí...hoje teclando do Sesc Vila Mariana excepcionalmente, conseguindo acessar uns sites que não rolavam lá no Centro Cultural.
Bom dia pra quem é de bom dia, boa noite pra quem é de boa noite...

Domingo, Outubro 05, 2008

Acabo de pegar os exames de sangue e cardiológicos, depois de correr que nem um feladaputa naquela esteira do Instituto do Coração.Parece que dessa vez eu opero esse desvio de septo mesmo.
E largo o maldito Aturgyl.
Encontrei até o Zé Luis que joga nos bambis por lá, embora tenha demorado a reconhecer quem era; não sabia se era pagodeiro, ator ou ex-BBB. Só depois é que fui ver que ele operou alguma coisa pela tv e lembrei quem era.
Ontem torci muuuito pro Inter vencer a Sul-Americana e abrir mais uma vaga pro Santos, já que se for depender do Ipatinga vencer o Fluminense na última rodada tô fudido e não pago. Bom, um jogo a menos pra ter que secar.
Além do Santos, que pega o desesperado Náutico na Vila (agora com nosso artilheiro Kleber Pereira, liberado por novo julgamento no STJD, agora há pouco), torço pelo Grêmio, pelo Goiás, pelo Botafogo, pelo Cruzeiro e pelo Flamengo.
E ainda tô decidindo se torço pelo Vasco ou não, já que além de terem exorcizado o Eurico Miranda de lá, eles deram uma PUTA ajuda na nossa virada em cima do patético-PR em 2004, vencendo os caras na penúltima rodada e perdendo pra gente na última. Lembro bem da camisa que o Pedro Malazarte fez com a data do título e a frase: "O Vasco é meu amigo".
Mesmo eu pagando a promessa de ouvir e cantar o hino deles 33 vezes consecutivas, ainda devemos uma pra eles, que já tão ensaiando esse rebaixamento há tempos.
Mas enfim, pontos corridos criou a figura do "secador".
Tá certo que ele já existia, mas antes você torcia só pelo seu time, que normalmente dependia só das forças dele. Era mata-mata, a hora da verdade.
Agora é essa coisa de um olho no seu jogo, o ouvido no radinho em outro a milhares de kilometros. A saída pra quem não quer ser "negativo" e secar alguém; botar olho gordo, é a "positividade" de torcer pelo adversário mesmo.
O Moran já faz campanha pela net avisando que se o saopaulo perder esse título ele doa 10 cestas básicas e a irmã dele já prometeu 20 (!) .
Outros amigos entraram na corrente e prometem, no mínimo, uma.
!Puta solidariedade!


Terça-feira, Setembro 09, 2008

Algumas boas notícias depois de tanto tempo sem escrever nada por aqui.
Passei num curso técnico do Senai, lá no Cambuci, do lado do galpão em que o Eurico, nosso professor de escolinha de futebol aos 13 anos tem suas quadras de society para aluguel.
Mal sei como vai ser, mas já agradeço ao Serra (ai) pela pressão que fez para o curso ser gratuito.
A grade também vai ser alterada, mas a do ano passado era essa:


Programa do curso:
MÓDULO BÁSICO

TECNOLOGIA DA PRODUÇÃO GRÁFICA
Processo de pré-impressão - Projeto gráfico; Composição visual: definições, fundamentos; Originais; Fotografia para criação; Fotolitos; Projeto gráfico em computação gráfica; Processamento eletrônico da imagem; Reprodução de fotografia convencional; Reprodução de contatos para montagem; Cálculo do aproveitamento do papel; Montagem monofacial com corte seco; Montagem de fotolitos convencionais; Reprodução de prova heliográfica; Cópia e prova de chapas para offset;
Processo offset - Impressão: equipamentos, procedimentos, operação; Instrumento de medição (micrômetro); Controle de processo; Molhagem; Tintagem;
Processo rotográfico - Galvanoplastia; Gravação autotípica; Gravação eletromecânica; Provas de cilindros rotográficos; Impressão rotográfica;
Processo flexográfico - Confecção de clichês em borracha; Confecção de clichês em fotopolímero; Montagem de clichês; Impressão flexográfica.

INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS
Normalizações aplicadas: hidráulica, pneumática, elétrica, ar condicionado, iluminação; Manuais técnicos e catálogos; Arranjo físico na indústria gráfica: definições, componentes, fluxo operacional, construção e disposição de ambientes, adequação e instalação de máquinas e equipamentos, traçado de arranjo físico; Logística: princípios, diretrizes, cadeia logística; Elaboração de projeto de instalação.

HISTÓRIA DAS ARTES GRÁFICAS
Princípios básicos da história da arte; Origem e evolução da escrita; Aparecimento da imprensa; Evolução das técnicas de reproduções de imagens; Principais processos de impressão; Artes gráficas no Brasil.


MÓDULO DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL ? Impressor Offset Monocolor

IMPRESSÃO OFFSET I
Duplicadoras e impressoras de pequeno formato; Matrizes para duplicadoras; Formas para duplicadoras; Sistema de impressão Offset; Impressão Monocolor; Sistema de Molhagem; Montagem e regulagem do sistema de molhagem; Solução de Molhagem; Sistemas de Tintagem; Manutenção, Montagem e regulagem do sistema de tintagem; Lubrificação; Sistema de alimentação; Sistema de Margeação; Conjunto de recepção; Unidades impressoras; Conjunto impressor; Controle visual e qualidade do impresso; Segurança e higiene no trabalho; Passagem do suporte; Instrumentos de medição; Matrizes para o processo de impressão offset; Impressora de médio formato; Colocação e tratamento da chapa na impressora; Controle de qualidade em impressão preto e branco; Controle de qualidade por meio da tira de controle; Unidades impressoras; Impressão offset cores; Blanquetas; Higrometria; Montagem da blanqueta na impressora; Impressão em cores sobre vários suportes; Tintas para impressão Offset; Mesclagem de Tintas; Variação da imagem; Seqüência de Impressão; Densidade; Valor tonal; Contraste relativo na impressão; Trapping; Imagem padrão para teste (test-form); Impressão com controle visual; Impressão com controle densitométrico; Análise do impresso.


DENSITOMETRIA E COLORIMETRIA
Densitometria: princípios; Formação das cores; Sistema da Fundação Técnica de Artes Gráficas (Graphic Arts Technical Foundation - Gatf) de controle de cores na impressão; Sistema Gatf de controle de cores em laboratório; Controles densitométricos na impressão; Calibração dos equipamentos; Preparação de amostras de cor; Medição de amostras; Fundamentos de colorimetria; Sistema Munsell de codificação de cores; Sistemas de controle de cor: Comissão Internacional de Iluminação (Comission Internationale de LEclairage - CIE 1931 e CIE 1964), Sistema Luminosidade, eixo a e eixo b (Lightness - LAB); Sistema de medição de cores (CMC 1994).


MATÉRIAS-PRIMAS
Matérias-primas fibrosas; Matérias-primas não-fibrosas; Características da fabricação de papéis; Dimensionamento de características físicas, superficiais, ópticas, químicas e mecânicas do papel; Características dos sistemas e substratos de impressão; Processo de fabricação de tintas de impressão; Características reológicas, físicas e ópticas das tintas de impressão; Análise de impressos; Medição das características reológicas e físicas das tintas líquidas e pastosas; Análise das características ópticas das tintas líquidas e pastosas; Preparação de cores especiais; Normalização.


RELAÇÕES NO TRABALHO
Comunicação; Percepção e diferenças individuais; Liderança; Criatividade e trabalho em equipe; Análise de problemas e tomadas de decisão; Leis trabalhistas; Motivação; Processo de mudança; Ética profissional e cidadania; Relações de poder na empresa; Sociologia do trabalho: características das mudanças no mundo do trabalho; Preparação para a busca de trabalho e posturas de negociação.


MÓDULO FINAL DO CURSO TÉCNICO

ARQUITETURA DE REDES E MICROCOMPUTADORES
Elementos de microcomputadores pessoais: memória, placa-mãe, processadores, unidades de armazenagem, monitores, multimídia, periféricos; Instalação de programas e de periféricos; Redes: topologia física e lógica, abrangência geográfica, controle de acesso ao meio, meios físicos de comunicação, controle e detecção de erros; Configuração de rede.


PRÉ-IMPRESSÃO
Produção Visual Gráfica - Criação e criatividade; Tipologia; Tipometria; Composição visual; Técnicas para esboço; Diagramação do projeto gráfico publicitário e editorial; Fotografia: processo, linguagem, equipamento fotográfico; Materiais fotográficos: tipos, características, processamento químico; Normas de segurança; Processamento de materiais fotossensíveis em preto e branco; Desenho de observação; Desenho com instrumento de precisão; Estudo da cor; Desenho de marca; Ilustrações; Cartazes; Embalagem cartotécnica; Gerenciamento de arquivos digitais e pastas; Ilustração com aplicativos vetoriais; Execução e finalização de projeto de embalagem; Diagramação de projetos com aplicativos para leiaute de páginas;
Processamento da Imagem - Digitalização da imagem; Separação de cores; Cálculo de resolução; Tratamento de imagem; Saída em filme; Padronização do processamento fotoquímico; Tecnologias de saída sem filme (filmless); Montagem eletrônica; Fechamento de arquivos para saída; Gerenciamento de cores; Controle de graduação; Correção de cores; Balanço de grises; Calibração de equipamentos; Manutenção preventiva de equipamentos; Montagem bi-facial; Quadricromias; Montagem editorial; Montagem bi-facial com corte duplo; Escalas de controle: definições e testes; Cópia de chapas com máscaras; Recopiagem de trabalhos; Provas análogicas; Densitometria aplicada; Prova quatro cores; Cores especiais.


ROTOGRAVURA E FLEXOGRAFIA
Rotogravura - Galvanoplastia: definições e cálculos; Eletrólise; Cilindro forma; Eletrodeposição de níquel, de cobre e de cromo; Reciclagem do cilindro; Usinagem; Retifica e polimento; Gravação química; Provas de cilindros rotográficos; Seqüência de impressão; Prova a registro; Simulação de variáveis; Diminuição e aumento de profundidade; Correção de batidas; Gravação eletromecânica; Impressão rotográfica: sistema de alimentação; Grupo impressor; Sistema de saída; Cilindros condutores; Inter-relação das variáveis; Impressão rotográfica a registro; Simulador de impressão em rotativas; Tecnologia dos suportes para impressão; Laminação; Suportes para laminação; Sistemas de laminação; Adesivos; Problemas mais comuns no processo rotográfico: identificação de causas e soluções;
Flexografia - Preparação e montagem de clichês flexográficos (entalhe manual); Característica do sistema; Processo de entalhe; Processo de retifica; Preparação de clichês em borracha vulcanizada; Pré-matrizes; Confecção de matriz negativa; Clichê de borracha vulcanizada; Retífica de clichês; Fotopolímero; Armazenamento e manipulação de solução gravadora; Testes de exposição; Preparação de soluções químicas; Sistemas de montagens; Elementos do porta-clichê; Impressão flexográfica banda estreita; Execução do meio-corte; Impressão flexográfica banda larga; Máquinas impressoras; Retículas para confecção de clichês flexográficos a cores; Imagem-padrão para teste (test-form); Tecnologia do papel ondulado.


IMPRESSÃO OFFSET II
Impressão offset cores em vários suportes; Impressão de quadricromias; Seqüência de impressão; Impressão com controle densitométrico; Análise do impresso; Sistemas de barras inversoras; Sistemas de saída; Análise de problemas em impressoras rotativas; Impressão com comando a distância; Controle da qualidade do processo rotativo; Impressão com controle eletrônico; Principais comandos da impressora; Ajustes da impressora a distância; Aplicadores de verniz; Sistema de troca de chapa automática (autoplate); Sistema de ajuste automático do suporte (preset); Sistema de logística; Sistema de controle de processo; Impressoras de imagem direta (DI); Sistema de impressão sem água (waterless).

PROCESSOS ESPECIAIS DE IMPRESSÃO
Serigrafia - Fundamentos; Matriz serigráfica; Racles; Substratos; Insumos; Preparação da matriz; Impressão;
Tampografia; Fundamentos; Acessórios; Suportes; Aplicações;
Impressão digital: Fundamentos, Sistemas de impressão digital; Reprodução das cores; Acabamento; Impressão de dados variáveis (DV).

ACABAMENTO EDITORIAL E CARTOTÉCNICO
Editorial: a ponto metálico; Capa rígida; Brochuras; Operações de corte e dobra; Hot stamping; Encadernação de livros;
Cartotécnico ? Embalagens; Planificação; Preparação de Matrizes; Impressão de corte e vinco; Adesivos.

GESTÃO PELA QUALIDADE
Gestão da Qualidade - Sistemas da qualidade; Princípios e filosofia da qualidade total; NBR série ISO 9000; Implantação do sistema de garantia da qualidade - família NBR ISO 9000; Controle estatístico do processo; Ferramentas da qualidade: histograma, diagrama de Paretto, diagrama de causa e efeito, diagrama de dispersão; Gestão estratégica: definição, noções básicas, gerenciamento participativo, gerenciamento de processos, planejamento estratégico;
Custos Industriais ? planilhas de custo da indústria gráfica; Apuração do custo: hora-homem, hora-máquina e insumos;
Gestão Ambiental - Desenvolvimento industrial e meio ambiente; Legislação ambiental; Sistemas de gestão ambiental na indústria; Gerenciamento de resíduos sólidos; Controle de efluentes; Prevenção da poluição.

PROJETOS
Concepção; Características; Elementos básicos de elaboração de um projeto: etapas, cronograma, infra-estrutura; Ferramentas: diagrama de flechas (PERT-CPM), gráfico de barras (GANTT); Estratificação de eventos; Pesquisa: definição da coleta de dados e informações tecnológicas; Estudos e análise da viabilidade econômica e dos aspectos relativos a segurança; Desenvolvimento; Avaliação; Elaboração de memorial descritivo; Técnicas de apresentação; Execução do projeto; Estruturação do documento final; Apresentação à banca examinadora.






Beeem técnico, mas acho que era o que precisava. E grátis.
Ah, e pelo jeito vou poder chegar até lá com uma bicicleta nova, que caiu aqui no colo.
Continuo moleque, sem aprender a dirigir.


RANDOM

Saio de casa com dois livros prá renovar, um de P. D. Ouspensky, sobre o caminho da Consciência, dizendo que as coisas nos acontecem de 4 maneiras: karma (causa-conseqüência), destino, acidente (aleatoriedade) e vontade. Ele repetia que raramente estamos despertos e tudo conspira pra te manter preso ao lugar em que está, o raio de ação da nossa liberdade é pequeno, entre outras coisas que é melhor eu nem começar a viajar, já que não tenho gabarito pra explicar no momento. Ok.
O outro livro que vim renovar é "O Idiota", do Dostoievski, de onde tirei a ilustração do Goeldi aí do lado, um dos piripaques do Míchkin, o Cristo-Quixote.
Vai daí que tô chegando na entrada do Centro Cultural e a mulher na minha frente começa a olhar para o céu, rodar, rodar e cai babando num ataque epiléptico.
Eu demorei pra sacar e ela caiu na minha frente, bateu a nuca e tudo. Fui ajudar e já chegaram os seguranças, chamaram ajuda e tal. Fiquei por ali sem ação, pensando no que fazer,se tinha algum significado tudo isso. Karma? Destino? Vontade? Aleatoriedade?







"Rest my Chemistry", Interpol.



http://www.youtube.com/watch?v=BgROCTkVHJY


I have slept for two days
I've bathed in nothing but sweat
And I've made hallways scenes for things to regret
My friends they come
And the lines they go by

Tonight I'm gonna rest my chemistry
Tonight I'm gonna rest my chemistry

I live my life filled with no pain
Just a rage and three kinds of yes

And I've made stairways
Such scenes for things that I regret
Oh, those days in the sun
They bring a tear to my eye

Tonight I'm gonna rest my chemistry
Tonight I'm gonna rest my chemistry

But you're so young
You're so young
You look in my eyes
You're so young so sweet so suprised

I see a sign says "ok"
Gotta take a ride just recline in the faraway
Got to take some time to relise
That my friends they come
And the lines they go by

Tonight I'm gonna rest my chemistry
Tonight I'm gonna rest my chemistry

But you're so young
You're so young, you look in my eyes
So young, so sweet, so suprised
You look so young like a daisy in my lazy eyes

Tonight I'm gonna rest my chemistry
Tonight I'm gonna rest my chemistry
Tonight I'm gonna rest my chemistry
Tonight I'm gonna rest my chemistry

Sexta-feira, Setembro 05, 2008


Um poema rapelado del Montenegro:



Da arte de deixar uma mulher lisonjeada
e puta. A matemática se emociona

Num bom jogo de sinuca. Alguém
que construindo uma bomba a detona

por acidente (como quem traz à mesa
um bolo quente). A rima disso tudo

com minha própria fuça ou como Borges
que trouxe do futuro uma flor murcha?

Um daqueles maestros descabelados
que após criar uma música quase

perfeita, mas pouco humana, por uma
filigrana, a desafina. A intuição

tocando forte como naqueles apitos
(e nossa audição nem sempre canina).




Marcelo Montenegro





Quinta-feira, Julho 17, 2008


Quarta-feira, Julho 16, 2008

.
O fogo que Prometeu arranjou pra gente foi evolução ou presente de grego?
Nossos 5 sentidos são uma dádiva de Deus ou uma prisão nesse campo sensorial?
Seria o ser humano um vetor feito de carne onde o Universo pensa a si mesmo?
É, tipo o Aleph do Borges...
.

Link da entrevista do Hofstader pro programa Milênio, do globonews:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM804293-7823-O+PENSADOR+AMERICANO+DOUGLAS+HOFSTADTER,00.html




21. Corpos que já não são humanos

Temos, incorporada para sempre em nossa retina, uma imagem magnífica desse homem brandindo o bisturi - ou o cinzel, ou o pincel - contra a farsa da eternidade. Nós o vemos idoso, cansado, lutando com alegria desesperada entre avalanches de angústia e orgulho. E o reconhecemos como nosso protótipo de artista, porque ao ser o mais ambicioso e o mais terrível, encarna o habitante ideal dessa época despedaçada pelo desejo e pela nostalgia.
Para onde o homem direcionou seu bisturi, nos anos culminantes de sua vida de artista?
Aparentemente seu propósito foi o de abrir a carne do mundo, para deixar a descoberto as entranhas do terror. Fez isso com"felicidade prometeuca" como ele mesmo, certo de sua força, afirma, mas o resultado é desmesurado e surpreendente: um redemoinho gigantesco de figuras no qual, entretanto, não se percebe a presença de nenhum corpo humano. Esses corpos supostamente humanos já não são representações do homem, são apenas massas de vísceras que afloram de um subsolo de angústia para assumir a aparência de fantasmas numa paisagem sobrenatural.
Mas talves sim, talvez ainda haja uma autêntica presença humana em meio ao maravilhoso caos de nervos e músculos: essa faccia di sparento ("expressão de espanto") que surge, palpável e próxima, da luta atroz travada por São Bartolomeu.


*



Escobar já tá lá na Australia uma hora dessas. Mais um que foi pro "exilio".

Vai fazer falta por aqui, meu velho. Mas boa viagem, sempre.

E valeu pelo boné, porque o cabelo tá daquele jeito...

Achei a fotinho aí com ele em primeiro plano, hahahah!!!

Agora vê se manda as da despedida.

!Abrasss...


Quarta-feira, Junho 11, 2008





Pãtz...anda largado esse canto mesmo.
Aparecendo só em particulées, matando garrafas de vinho, aleatório fulminante pela cidade, levando as caixinhas de cerveja pra beber com os amigos que tem freezer. Enfim, daquele jeito...
Por enquanto segue abaixo um repeteco do Rubem Fonseca em homenagem aos solteiros, sembre buscando uma centelha nas fricções:











UM DIA NA VIDA DE DOIS PACTÁRIOS





Chegamos na porta do cinema e ela perguntou
Se eu queria mesmo ficar dentro do cinema
Três horas e quarenta minutos vendo um filme
Sobre mafiosos
Ela tivera um ou dois namorados que só fodiam
Quando não tinham outra coisa pra fazer
Por que foder hoje de tarde se podiam foder de nite,
Por que foder de noite se podiam foder
amanhã de manhã,
E por que foder no dia seguinte se podiam foder
no sábado,
E por que foder no sábado se podiam foder
na outra semana,
No feriado ou no dia do aniversário dele ou dela?
Mas ela sabia que comigo - com nós dois,
Pois na verdade não era só eu que fazia,
Tudo ficar diferente -
era outra coisa.
E caminhamos apressados debaixo do sol
Pois não queríamos perder tempo, tínhamos depois
De voltar para nossas prisões e aguardar
O novo encontro, e fomos
Para o primeiro lugar mais perto, um apartamento sem
Nenhum móvel, e ficamos agarrados lá dentro
A maior parte do tempo em cima dela
Com os joelhos apoiados no chão, e meus joelhos
ficaram lacerados,
E o meu pau esfolado, e ela com a carne ardendo, e um
Dente meu da frente rachado e um dente dela da frente
Rachado, e marcas vermelhas
Apareceram ao lado de antigas marcas roxas e nossas
Olheiras se tornaram ainda mais escuras, mas não me
Queixei nem ela se queixou. Era um pacto de incêndio,
Contra esse espaço de rotina cinzenta entre
O nascimento e a morte que chamam
vida.




Rubem Fonseca, in "A Confraria dos Espadas".


FIGURINHAS:


Quinta-feira, Junho 05, 2008

"Chama sensitiva" - (...) Diz-nos a Ciência que se for tocada uma nota em uníssono com a razão de vibrações das moléculas de calor, a chama responderá imediatamente ao som (ou à nota tocada), que dançará e cantará no mesmo ritmo dos sons. Mas a Ciência Oculta acrescenta que a chama pode também ser extinguida se o som for intensificado. Outra prova. Pegue um copo de vinho ou qualquer outro de vidro bastante fino e claro; produza uma determinada nota batendo nele levemente com uma colher de prata; após isto, reproduza a mesma nota esfregando o dedo úmido em sua borda e, se você tiver sorte, o vidro rachará imediatamente e o copo se estilhaçará. Indiferente a qualquer outro som, o copo não resistirá à grande intensidade de sua própria nota fundamental, pois essa determinada vibração causará tal comoção em suas partículas que todo o objeto se desfará em pedaços.(...)

H. Blavatsky.

Terça-feira, Maio 27, 2008

Sexta-feira, Maio 23, 2008


Ô tristessa... e acabei nem caindo prá Baixada.
Mas isso aí, falta de vontade é que não foi.
Amanhã escrevo mais.

Terça-feira, Maio 20, 2008



Vila Belmiro, quinta-feira agora





Ano passado a diferença era a mesma.
Depois de perder por 2 a zero pro Grêmio, tínhamos que vencer por três gols de diferença.
Começa o jogo e Diego Souza mete um na caixa.
Um segundo de silêncio.
E recomeçar o "Vamo virá Santoooooos"...
Um-dois-três.
Dez minutos pra acabar e Mano Menezes acha que seu time foi pro vinagre.
Faltava UM.
Mas não deu pra gente. Gols perdidos e Luxemburgo rodando no mata-mata.
Ano passado eu tava lá. Eu e a Mila, de última hora, nas numeradas(pela primeira vez).
Depois a fossa com o resto da cidade na volta e nos bares, aquela porrada de camisas alvinegras enchendo os bares e as ruas. Pelo menos dividindo a dor, saca? Prum santista exilado em São Paulo é uma dádiva, pode acreditar.
Queria ir essa quinta, mas já tava me conformando em acompanhar de longe, o $$$ pra passagem encarece pacarái...e aí me aparece o Rocha dizendo que deve ir pra lá na quarta.






Sozinho na Vila (última na Vila pela Libertadores, contra o Cúcuta)



Aquele Grêmio marcava melhor que esse América, fato.
Nosso time também era melhor, fato.
Faltava justamente o Kleber Pereira pra fechar o time e levar o caneco.
Mas faltava "eye of tiger" também. Aquele time achava que jogava mais do que jogava.
E esse tem o Betão se matando na lateral-direita, Marcelo bem pracaralho na zaga, Molina armando algumas e chutando com os dois pés e o Leão na orelha dos caras.
Só falta o Marcos Assunção no meio, mas falando sério: Esse time tem mais pegada.
E um matador. É por aí que eu vou.



E dessa vez quero alambrado!



***




Tá publicado o livro com os trampos da Clara e Marilia associando "deleuzeguattari" com Henry Miller e Sacher-Masoch mais o começo do corpo a corpo do Roberto com o Anti-Édipo.
É de uma época, tô sabendo....
Num leio mais porra nenhuma de teoria há uma cara, tô sabendo...
Eles continuaram caminhando, tô sabendo...
E essa é a melhor parte. Também quero pegar na mão e ler.
Pela Editora Unesp.



Nilsão, outro nascido na "Ilha dos Santos Inocentes" encravada no meio do Eixo Rio-SP, stá com blog e ainda num tinha linkado aqui. A maioria que vem parar aqui num precisa de apresentações nesse caso, mas de todo jeito taí.
Não sei por que cagas d'agua o link não tá virando, mas taí embaixo:
http://www.nilsonprimitivo.zip.net/


A apresentação do Marcelo Montenegro dele na etcetera 21 prá quem inda num conhece a peça:
www.revistaetcetera.com.br/21/nilson/indexhtml
E uma curta pra Trip:

Ou procura no youtube que tem os videos, inclusive os do Carlinhos Calor, hehehe...


Segunda-feira, Maio 12, 2008

Monica Belucci







Ela olhou pra mim ou foi a melhor impressão da minha vida?











Domingo, Maio 11, 2008


Postagem rápida só pra constar:
Sexta-feira, marco o oncontro com Lucas e Siça em frente ao Sesc Paulista. Fim de um ciclo de palestras, essa era sobre ética e liberdade em Spinoza (eu acho). Faz algum tempo que larguei os teóricos de mão, pelo menos por um tempo, deu no saco.
Enfim; passamos na João Moura pra pegar o Pedro na padaria e caímos pra casa do Verde e da Mel, tomar umas com eles e o Frei lá na Sta. Cecilia.
Bom beber por lá. Bom andar pela rua com essa banca depois de tanto tempo também.
Passa o tempo, Rockassetes não ligam, e sobra eu e o Malasarte pra passar por um Parlapatões já fechado e subir a Augusta.

Ontem (sábado), depois de passar no trampo da Mila e ganhar um jantar (chorizo ao ponto, fazia tempo também...) e uma brejinha, vinha pra essa lan e ouço um som vindo do Centro Cultural na madruga.
Estranho, mas decidi ver qual que era. Paro lá e ele tá cheio (?!?), rola um progressivo.
Aceito o rumo proposto pela noite e vago por ali.
No fim de tudo, me aparecem Laerte e Anisio com sua respectiva Agatha.
Puta surpresa boa. Me contam que tão filmando seus projetos com a Bianca naquele esquema cooperativo (três filmes, três roteiros, três direções). Boas novas e tudo.
Descendo a Liberdade e depois até o Paysandu pra tomar umas saideiras e voltar logo mais.
E vai amanhecendo o dia das mães prá Santa Cecilia...



Fotos: Leo Mattos (acho) Rockassetes.


Segue abaixo um poema achado lá na biblioteca, do Mario Benedetti, uruguaio já citado aqui pelo livro "Gracias por El Fuego", pocket book mesmo. Podem achar um pouco tétrico pra quem fez aniversário dia desses, mas era o menos melodramático dele.
Bom, de todo jeito, taí:





Turning Point



Só até ontem
fui jovem
hoje
comecei a ser velho

desde o mau bem-estar
até o bom mal-estar
uma modesta oscilação

de todas as maneiras
celebrei a mudança
com uma dor intensa
divertida
que começou no antebraço
esquerdo
e ficou um instante junto ao coração

mas a festa
não terminou


também
tive uma tontura
uma ligeiríssima tontura
durante a qual
pensei duas ou três coisas
que logicamente
são
confidenciais



Mario Benedetti

Quarta-feira, Maio 07, 2008


Um fim de semana bom. Sabadão e o Carlão me chama pra tomar umas no "Nono Paolo", lugar que a gente não ia há uns dez anos, desde alguma pizzada de aniversário aí (acho que era da Jaciara, se não me engano beem antes dela ter um filho. Putaqueupariu, que idade ele deve ter hoje?). Hoje em dia tá beem melhor, tem de tudo...rã, javali, picanha, pizza, porção, massas.
Era pra encontrar ele com a Andréia e Escobar, mas acabou que foi quase toda a casinha: Fifo, Salério, Pedrovis, Rocha, todo mundo numas de lembrar do lugar.
Daí me aparece um garçom conhecido, de outra pizzaria. Não lembrava o nome dele de jeito nenhum. Mais umas cervejas e uma interminável discussão sobre o Fenômeno depois, veio o nome na cabeça: Rosalino!
Corri pra dentro do restaurante e fui tirar a dúvida, falei que lembrava dele do Capuchinho, desde moleque e coisa e tal, perguntei pelo retrato desenhado do Didi Folha-Seca que tinha lá ( o antigo dono levou embora) e voltei pra mesa mais animado ainda.
Me informam que o Moran anunciou que casa ano que vem.
!Mais brindes!
Parada rápida na Casinha pra matar um whisky perdido por lá e uma jornada bizarra pelo "Love" que terminou lá pelas bandas do Tucuruvi.
Mais aí já é outra história.







POR AÍ...





Sábado, Maio 03, 2008

Sexta-feira, Maio 02, 2008



"Anastácia, cidade enganosa, tem um poder, que às vezes se diz maligno e outras vezes benigno: se você trabalha 8 horas por dia como minerador de ágatas ônix crisópasos, a fadiga que dá forma aos seus desejos toma dos desejos a sua forma, e você acha que está se divertindo em Anastácia quando não passa de seu escravo."




Italo Calvino, in "As Cidades Invisíveis."
*


Aniversário chegando e nem marquei nada.
esse ano nem tava a fim de sumir e me entocar, queria fazer alguma coisa, beber com os amigos, etcetera e tal, mas não vejo ninguém faz teeeempo.
Já preparando a cara de cachorro prá semana que vem, quando o camarada Indio, que trampa na banca na madruga e me atura lendo todas as revistas que o dinheiro não compra, mais o "La Nación" e "A Tribuna" inventa de me dar um chaveiro do Santos, já que eu tinha perguntado o preço. Porra, esse eu vou guardar prá sempre.


*

Bom, com a crônica falta de grana, venho usando a biblioteca como se fosse locadora.
Isso é que é formação autodidata aos saltos. Sem compromisso também, mas não sonho ser intelectual, então tá valendo.
Só isso pra explicar um cara lendo ao mesmo tempo Edmund Wilson (Rumo a Estação Finlândia) e " Cantos de Maldoror" (crueeel, muuito crueeel esse Lautréamount) entremeados (palavra chique pacarái) pelo "Onde os velhos não têm vez", Do Cormac McCarty (acho que é assim que escreve, né?).
Aí embaixo vai uma fatia de um, depois alguma coisa de outro, tipo a parte sobre meu irmão, o Oceano, que o Willer emulou uma vez aí...





"(...)As abstrações da filosofia alemã, que nos parecem sem sentido ou grotescas quando as vemos vertidas para o inglês ou o francês, dão em alemão, através da solidez dos substantivos com iniciais maiúsculas, quase a impressão de serem deuses primitivos. São substanciais e, no entanto, uma espécie de seres puros. São abstratos porém alimentam. Têm o poder de santificar, consolar, embriagar, motivar para a guerra, com poder comparável, talvez, apenas às velhas canções e epopéias de outros povos. É como se as velhas divindades tribais germânicas tivessem sido convertidas ao cristianismo, mantendo sua natureza pagã agressiva, e em seguida a teologia cristã fosse substituída pelo racionalismo francês do século XVIII e elas colocassem a máscara da Razão Pura. Mas, embora tivessem se tornado menos antropomórficas, continuavam a ser produtos mitopoéticos(...)"




Edmund Wilson, in "Rumo à Estação Finlândia".



*


*
ALGO PARA PENSAR EM UMA TARDE CHUVOSA

*Por Caco Galhardo.




*



!Vencemos e vencemos bem!
Dois a zero é um puta resultado, com essa regra babaca de gol marcado fora de casa valar por dois na hora do desempate.
Com o tempo os times vão aprendendo que não podem tomar gol em casa de jeito nenhum.
A última frase que ouvi, verdadeira, mas bem cretina é: "Em casa, zero a zero é o melhor dos empates".
Bela filosofia da bola essa estimulada pela Conmebol.
Mas enfim, o tal do Lima foi pé-quente mesmo:
Um treino, um jogo, um gol...
E olha que foi indicação do Vampeta.
Agora só quinta-feira que vem.

Quinta-feira, Maio 01, 2008



Eu quero ver o Mar...




*
A boa notícia é que finalmente apareceu alguém que pensou no Xico Sá pruma mesa-redonda, e ainda convocou o Sócrates pra beber junto.
O Cartão Verde sai da zona morta das segundas-feiras e se muda pro pós-jogo das quartas como única na rede aberta. Demorô.
*
Tô a fim de ler é o que ele preparou pra coluna dele de amanhã.
O rei do "Baixo Augusta" já deve ter preparado alguma recepção pro fenômeno.
Fica por enquanto a frase dum amigo, não tão sem preconceito quanto o camarada pernambucano: " Na melhor das hipóteses, fica a imagem do Ronaldinho fechando o zíper e dizendo que não quer mais nada..."
*
E acabei não indo assistir a peça do Campos de Carvalho.
Passei foi pela Casa das Rosas, clima muito bom, bem diferente da muvuca cercada de mijo e gorfadas pelas ruas do Centro. Acabei não encontrando os amigos que moram longe e tavam por aqui, mas colei na Roosevelt e fiquei por lá até amanhecer, saindo prá assistir a minazinha Mallu Magalhães numas com o Helio da Vanguart em frente ao Copan, sol do meio-dia na cabeça.
Depois, água na cara, metrô, banho, e umas 20 horas de sono.
*
Ontem um daqueles dias que agradeço por ser vagabundo e poder assistir tanto futebol.
Sequei o Chelsea e perdi.
Sequei o Boca e perdi.
Depois resolvi não secar mais ninguém por enquanto e guardar as forças pro jogo de hoje do Santos contra o Cúcuta na Vila e acabou que a porcada foi sacolada em Recife, Flamengo praticamente garantiu vaga no nosso caminho, curintxa goleou e passou pelo Goiás, River perdeu pro San Lorenzo, bambis arrancaram um zero a zero em Montevidéu e o fluminense ganhou (acho).
*
E o "livro aberto" do Ademir Muniz, cadê, meu velho?

Quarta-feira, Abril 30, 2008

Sábado, Abril 26, 2008

Vaca de Nariz Sutil, Jean Dubuffet.




Virada hoje e eu pensando em ficar pelas bordas.
Ano passado foi uma muvuca só e acabei andando mais espremido pelas ruas do centro do que aproveitando alguma coisa. Daí que esse ano tô pensando em assistir um Nelson Rodrigues aqui pelo Centro Cultural, Casa das Rosas prum Tom Zé Ou Marcelo Montenegro e depois ver a montagem do "Vaca de Nariz Sutil" dos Parlapatões. Música só no domingo, mais sussegado mesmo, né? Sei lá, vamos ver quem eu trombo essa noite.
Só falar dessas coincidências que dariam um romance pralgum surrealista perdido por aí:
Fui conhecer o Campos de Carvalho numa orelha de livro do Fausto Wolff (aquele mesmo já postado por aqui), que por sinal encontrei via Saroyan. Agora aparece essa montagem; na faixa, do livro que li ontem. Tenho que assistir...
Mais depois.

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Quinta-feira, Abril 24, 2008



Agora sim, uma tabela decente de como ficou o mata-mata da Libertadores, aquela competição que homenageava José Marti, Bolivar e tal, mas agora tem um "Santander" em destaque lá no meio do nome...e obrigado ao blog do Rodrigo Bueno (esporte fino), o cara que melhor cobre futebol internacional por essas plagas.

Domingo, Abril 20, 2008


Tom Waits


"(...)Ultimamente diria que meu ponto forte é a capacidade de pegar uma coisa, combiná-la com outra com que não tenha nada a ver e conseguir que isso faça sentido. Digamos que procuro descobrir formas diversas de usar um guarda-chuva(...)"

"(...)A minha memória não é uma fonte de sofrimento. Certas partes são como uma loja de penhores, outras como um aquário, outras como uma despensa. Julgo que há um lugar onde a memória se distorce como as imagens nos espelhos de feira e é essa a área que mais me interessa.(...)"



Rua nove com Hennepin




É na nove com Hennepin
e mesmo os donuts têm nomes
que soam como putas
e as marcas de dentes da lua estão no céu
como um toldo sobre tudo isso
Os guarda-chuvas quebrados como pássaros mortos
o vapor que sai das frestas
como se toda a maldita cidade estivesse para arrebentar
todos os tijolos têm cicatrizes
de tatuagens de cadeia
e todos agem como cães
Os cavalos descem a Violin Road
e Dutch jaz morto no chão.
e todos os quartos cheiram a diesel
e guardamos conosco nossos sonhos
dos que neles já dormiram.
Eu estou perdido na janela
Escondido nas escadas
Pendurado na cortina
Dormindo no teu chapéu
E ninguém traz nada que preste
Presse bar aqui do lado
Começaram todos mal
E a garota do balcão tem uma lágrima tatuada
Uma por cada ano que ele está longe, ela diz
Que beleza destroçada
Mas nada que 100 dólares não curem
Ela tem essa tristeza aguda que só piora
Com o rangido e o estrondo
do South Pacific indo embora
Enquanto o tic-tac do relógio pinga
como uma torneira mal fechada
Até que você se afogue em cerveja e álcool barato
E confesse pro primeiro que te ouvir
Eu vi isso tudo
pelas janelas amareladas
do trem cruzando a noite.





***

Terça-feira, Abril 15, 2008


Já faz algum tempo que as garotas pensam em casar, ter filhos, fertilidade e coisa e tal.
Faz tempo que a maioria dos meus amigos tá "casado".
Tá todo mundo nessa.
Mas esse fim de semana tava no aniversário da Michelle e descobri que o Maomé vai ser PAI.
O Maomé.
Essa merece um brinde.

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Quarta-feira, Abril 09, 2008



Não atirem no javali





Uma criança veio falar comigo
balançando um oceano numa varinha.
Ele me disse que sua irmã estava morta,
eu abaixei suas calças
e lhe dei um pontapé.
Eu o levei de carro pelas ruas
correndo a noite da minha geração
gritei o seu nome, seu nome vilipendiado,
correndo as ruas da minha geração
crianças dançavam alegres com o nome
correndo se aproximavam
Os pais e as mães se inclinavam para escutar;
eu gritei o nome

A criança ficou tremendo e caiu,
de pé se refez,
eu gritei seu nome!
E em frenesi pais e mães
enfiaram seus dentes no cérebro da criança.
Eu convoquei os anjos da minha geração
nos telhados, nas alamedas,
sob o lixo e as pedras,
eu gritei o nome! e eles vieram
e morderam os ossos da criança.
Eu gritei o nome: O que é Belo
Belo Belo Belo





Gregory Corso


solipinsista





de um manual
de auto-ajuda:
olhe no espelho e

diga consigo
diga consigo
diga consigo





*

Sexta-feira, Abril 04, 2008

O que é meu belo...e as coisas

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Todas as belas coisas
Que tenho
Em cães mortos em celofanes embaladas com fitas
E assim tão lindas que minhas
Em meus aposentos-túmulo de pó e sem coisas

Minha prática do momento
Quando vem a linda garota
Fazer que passe apertadinha no buraco da chave
Ou debaixo da porta se for velha
De jeito nenhum como mãe ou como puta

Ou cão sem maternidade
E eu vou levá-la para o que é meu belo
E coisas
Gostando dela em celofane com cordas
Como música para um mundo e não coisas

Mas não posso revelar minha pia suja
E suas coisas penduradas na chave para secar
Melhor estar sozinho que puta
Se fazendo de esposa em meu pó não embalado
Com nylon e galhos de chá e não coisas





Gregory Corso (Lady Vestal).

Quarta-feira, Abril 02, 2008

Da série "Grandes gestos que você nunca ouviu falar":



Esta é contada pelo Ugo Giorgetti no livro sobre sua carreira (O sonho intacto) da coleção aplauso.

(...) Há coisas muito bonitas de ligação do torcedor com a torcida. O dirigente polêmico do Vasco, o Eurico Miranda, contou ao Aldo Rebelo, da comissão parlamentar de inquérito sobre o futebol, uma história maravilhosa, de um torcedor que viajou de bote durante cem dias para ver o Vasco em Belém. Levou o dinheiro para voltar, não para assistir o jogo. Ele só queria ver os jogadores. E se vê expulso do hotel. O Eurico Miranda presencia a situação e o cara lhe explica: "Eu viajei tudo isso para ver o Vasco, nem vou ver o jogo, vou voltar, o cara me expulsa!" O Eurico se adianta: "Não, você vai jantar com o Vasco. E ver a partida." E o sujeito diz: "Mas eu não tenho dinheiro", ao que o Eurico responde: "O Vasco paga!" E aí vem a resposta do torcedor: "De jeito nenhum! Foi o dia mais lindo da minha vida, não preciso de mais nada, eu vi os jogadores!" E vai embora.(...)

Terça-feira, Abril 01, 2008

Maribel Verdú


Eu sabia que conhecia esse rosto bonito e duro quando assisti o "Labirinto do Fauno".
Era ela em "E sua mãe também"...



Segunda-feira, Março 31, 2008





Quem me dera
um mapa de tesouro
que me leve a um velho baú
cheio de mapas do tesouro


P. Leminski


Quinta-feira, Março 27, 2008


2 x 1 e a luta continua.

Não transmitiram em jornal nenhum:

Perguntado sobre os times do Brasil, Zidane respondeu isso mesmo...


Sábado, Março 22, 2008


Quinta-feira, Março 20, 2008



Anche Libero Va Bene

Li no Estadão essa resenha sobre o filme e me instigou pra assistir.
O filme é um melodrama sobre um pai (o também diretor, Kim Rossi) que cria seus folhos sozinho depois que sua mulher vai embora.
Ela volta e tralalá, mas o que me interessou de verdade foi o porquê do título:
Numa conversa entre o pai e o filho, ele pergunta em que posição o garoto gostaria de atuar se fosse jogador e ele responde que meio-campo. O pai diz que seria libero, acha linda a posição, e o menino concorda: Anche libero va bene (também como líbero está bem, numa tradução macarrônica feita pelo Estado).
Gostei e "sampleio" aqui a resenha porque vejo o futebol assim, como "maravilhosa guerra de noventa minutos", como bem disse o Jorge Ben.
O líbero, aqui, não é apenas aquele zagueiro que não precisa marcar ninguém e fica na sobra, uma invenção do sistema defensivo italiano (sabidamente o mais desenvolvido do mndo). É, também, e acima de tudo, o homem livre, a liberdade daquele que não tem ninguém a quem dar satisfação e, por isso mesmo, descobre que existe um preço a pagar pela independência.



Quarta-feira, Março 19, 2008

Porra, semaninha foda, viu?
Fui entubado (via oral) prá ver se a fucking gastrite tinha voltado depois de tomar uns antibióticos.
Pois é, voltou.
Bom que os telecines tão abertos e ando assistindo uma porrada de filmes...
Anjos Caídos, Sete homens e um destino, Manhattan, Sindicato de Ladrões, e uns menos cotados.
Caiu bem.
O melhor mesmo foi ter assistido o "Era uma vez na América".
A trilha do Morricone ainda tá na cabeça...acho que vou aparecer na Casinha que já tô sumido do mundo faz tempo....

Sexta-feira, Março 07, 2008



*


"Da primeira vez que me assassinaram perdi um jeito de sorrir que eu tinha"



*


Essa frase eu li pela primeira vez num livro do Saroyan, "O jovem audaz no trapézio voador", um puta livro pelo qual não dava nada a princípio. Me parecia que seria uma ladainha humanista de coitado.
Mas comecei a ler e vi que o cara era realmente humano em sua "co-paixão".
Um dos contos, "E Homem", me lembrou das primeiras experiências de me saber humano de verdade, ainda bem novo, me perguntando: mas será que todo mundo sente isso também? Todo mundo sabe disso e continuamos nessa?
Isso foi muito antes de ter noção do que o colégia de freiras fazia com a gente, muito antes de brigar com Deus, muito antes de reatarmos, ainda chamava por Ele, ainda procurava um nome.
Dia desses passei o livro pro Lukati conhecer, ainda nem sei o que achou. Mas tem tudo a ver com a minha experiência com o Daime também.
A sensação de ser um Homem caminhando sobre a Terra.Sei lá.
Dias depois fui à biblioteca e encontrei um livro do Fausto Wolff, por sinal autor da tradução que eu li, em que ele emulava o título: "O acrobata pede desculpas e cai".
A mesma pegada de quem se sente um homem num mundo de animais, ou um rato no meio de homens, como li no prefácio bem sacado.
Linguagem concisa, clara, limpa (?), sem firula. Palavras de um que ainda tentava...
Tem um tanto do "Estrangeiro", de Fante, Saroyan (claro), mas numas de existencialismo com gelo e limão. O livro começa com ele num bar, onde se ouve ao fundo aquela música do Noel: "...se você jurar/que me tem amor/eu posso me regenerar/mas, se..."
Deu até vontade de encontar a outra tradução, parece que é do Mario Quintana.
O livro não sai da biblioteca, então o negócio é ler a cota diária e ir ruminando até a próxima, o que acabou sendo bom, no final das contas. Tô meio maníaco nas leituras e ando atropelando uns silêncios ultimamente.
É isso aí.

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008


Amanhã eu vou a pé.
Amanhã eu gasto as últimas fichas e vejo a peça do Sergio.
Amanhã eu ando com uma garrafa de saquê na mochila.
Amanhã eu torro os tubos e encho a lata.
?Vamo lá?

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008





E aí, depois de quase uma hora procurando um filme na locadora, encontro o "Lady Vingança" olhando prá mim.
Aluguei na hora e corri pra casa, louco pra assistir outra do diretor do "Oldboy".
Puta filme, umas imagens que assustam de tão bem realizadas (montadas naturalmente?).
Tem uma dela descendo a escada de noite que eu queria enquadrar em movimento em alguma tela de cristal líquido na parede de casa. Claro; se eu tivesse dinheiro saindo pelo ladrão.
Enfim, não achei essa seqüência pra pôr aqui, mesmo pelo pouco tempo disponível nesse computador.
Não vou cansar ninguém com os comentários de que não tem a surpresa do Oldboy, não é o mesmo nível,etcetera.
Mas é um bom filme, com a punição que imagino mais "justa" para assassinos e vítimas.
Se é a favor da pena de morte, suje suas mãos...e tente manter seu coração puro.

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008


Situação difícil para o Santos esse ano, já tô com o espírito preparado pra draga que vem por aí.
Prioridade agora é não cair no paulista, montar um time pro ano que vem, etcetera e tal.
Enquanto isso, a Sangue Jovem avisa que o bandeirão em homenagem ao Pepe deve estrear agora em março, no jogo contra o Chivas Guadalajara, pela Libertadores.
Amanhã melhoro esse post e ponho a entrevista que ele deu prum santista aí...
Prá cima que teu nome é !SANTOS!

Terça-feira, Dezembro 18, 2007


Terça-feira, Novembro 13, 2007


Quarta-feira, Novembro 07, 2007


Terça-feira, Outubro 30, 2007

*
o medo flutua
um miasma lento
sobre os arranha-céus
o medo flutua
um beijo flatulento
sob os esgotos das catedrais
o medo supura
boca a boca
entre os corações
já esgotados
*
e o medo copula
sem amor
sem suor
sem ser
sensual
*
e o medo inocula
no seio da carne
girinos receios
e o medo calcula
e o medo coagula
e o medo menstrua do peito
como um coração que abortou
*
é o beijo não dado
é a palavra não dita
é o gesto desfeito
é o último dia da vida
sem amor
e é o medo do fim
envenenando os começos
*
medo disso
medo daquilo
medo do medo
mas muito mais
mais medo de mim
*
ainda tão cedo
arremedos de vida
*
*
*
*
*
*
*
*
Kipper
(from front 11)

Sábado, Outubro 27, 2007


*
*
EFRAIM MEDINA REYES

*

*

Enquanto isso, em Cartagena de Indias, na Colômbia...

O título do outro livro do cara já instigava, a capa tosca não conseguia esconder (Luana deve lembrar) :

"Era uma vez o amor mas tive que matá-lo". Esse eu ainda não li e tô correndo atrás.

O que eu acabei encontrando no sebo que tava trabalhando (sim, tava trampando num sebo) é o

"Técnicas de masturbação entre Batman e Robin". E é dos melhores que li nos últimos tempos.

Segue abaixo uma caralhada de citações:

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201 A um misterioso prego quente arrancado da porta de trás do paraíso - que trazemos cravado entre o desejo e a carne - conferimos as breves e opacas luzes de nosso esplendor e a gosmenta escuridão de nossa ruína. Fazemos desse ardor um cadáver para poder tragá-lo, porque somos uma espécie decrépita e arruinada cuja boca não pode morder resplendores, mas apenas carniça.

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89 O razoável seria abrir cada dia mais a chave do irracional. Deixar de forjar filhos e ter um louco amor sem destino, vão, supérfluo. Um amor que nos envenene o sangue e nos parta em migalhas, um amor sem armadilhas, sem ossos, sem ventre. Urdir uma mulher imaginária que amanheça árvore. O razoável seria que essas palavras não fossem razoáveis.

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01 Temos uma alma emprestada, que fica larga no peito e estreita nas mandíbulas. Existem homens que se aproximam muito dessa medida - separados apenas por um raio - , mas não existe um homem autêntico. Sob o sol ardente e a branca lua, nenhum homem é digno de se olhar nos olhos de um tigre.

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03 O coração de uma mulher é uma pedra cega cuja sede não mata o grito. Cada noite a pedra bebe - sem se saciar - até ficar coberta por uma casca seca e ressentida. O homem ama para acender o fogo de seu sangue. A madeira se acende e se consome ao se esfregar contra a pedra. Esse fogo (que se apaga na pedra) aquece catedrais submersas e céus desconhecidos.

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XVI Escrevo para me livrar disso, para pôr o lixo para fora, para ser outro, alguém que fica oculto sob a avalanche de palavras. Não sou um vendedor ambulante que faz livros de temporada: prefiro ir para dentro de mim. As palavras são meu álibi, não meu destino. Ando no meio das pessoas, gosto de seu cheiro, escuto suas vozes as músicas do rádio. Um cara pula uma poça d'água, é magnífico. Também sinto medo, evito as ruelas escuras. O livro é uma coisa a mais na vida. Não escrevo para lamber a pomposa bunda de um reizinho, mas para conservar meu anonimato, para que ninguém saiba jamais quem sou.

*

*

*

*

*

*

*

*

* Os grifos são meus (e de mais ninguém)

Segunda-feira, Outubro 22, 2007



A POESIA PARTIU



Álvaro permaneceu calado
mas ainda fez com a mão um sinal
para que ela apagasse a luz antes de sair
cabisbaixos
os versos foram aos poucos se ausentando do apartamento
Álvaro não mais se divertia com as odes
prosas ou sonetos
tercetos e quartetos deram pra vadiar
hai kais errantes eram vistos constantemente nos bares
vez ou outra um versinho mixuruca aparecia numa reunião entre amigos
Álvaro não saía de casa
de repente, começou a ficar cinza
olhou-se no espelho e se viu pálido
tomou duas aspirinas
abriu as cortinas
e ainda pôde ver uma bela prosa dobrando a esquina.




Luana Vignon

Sexta-feira, Junho 22, 2007


Em alguma salacompartimento
cheia de areia de praia e
teto zetaflex entreaberto
no topo da minha cabeça
me agarro à um copo de requeijão
e rezo pela realidade.

Enquanto existir esse copo tá tudo certo.

É aquela história:

Quem vê o cara agarrado
à um copo de requeijão
pensa que o cara tá loouco quando
na verdade
é só quebrar o copo
prá estilhaçar o cara.

E só lembrando,
aquele negócio ainda tá de pé:

Quero só cerveja gelada de graça
e uma mulher quente e barata

qualquer uma
uma qualquer

se não der prá ser uma

podem ser dezesseis.


Quarta-feira, Junho 20, 2007

Ando mais estranho que de costume.

Tempo demais, grana de menos.

Decidir chamar uma partícula de "pó" ou "carne"
é uma questão fundamental agora
que não tenho dinheiro pra cerveja.

Reparo cada vez mais em correntes douradas
nos tornozelos de garotas subindo
e descendo de ônibus lotados.

Naqueles cabelinhos que nascem atrás
das orelhas ou na nuca e pendem soltos,
que resolvi chamar de "Magalis"
como os da personagem do Mauricio de Souza.

Ando rindo sozinho.

Voltei à programas baratos
como perseguir bundas
em calças de lycra
por bairros inteiros da cidade

ou refazer com um compasso velho
as linhas nas palmas das minhas mãos.

Gasto tempo procurando palavras
que evoquem seu sentido imediatamente

Fisicamente.

Palavras que fiquem como marca de grelha no bife.
Como "suculenta" (anotar).
"Suculenta" funciona pavlaniovamente em mim. É ouvir e babar.
Já "pavlaniovamente" é só uma
engrenagem de sentido bem funcional.

Pensando em poema/idéias estranhas como:
Hiato pressupõe dois pontos.
Dois pontos criam um sentido.
Por aí vai.
Ou ia, porque abortado foi.

Ando me emocionando com gritos de torcida
gravados para Winning Eleven.

O barulho do italiano velho e gordo gritando
vozes de comando "mezzo fasci/mezzo muzzarela"
com o megafone numa das mãos e uma boina preta na outra,
cheia de volteios; gestos abertos e apaixonados.

Mais estranho que de costume.

Quinta-feira, Junho 14, 2007


Quinta-feira, Maio 31, 2007


The man who sold his soul.





















Sexta-feira, Maio 25, 2007



É do Kitagawa, mas tunguei do Paulo F.

Terça-feira, Maio 08, 2007



EU JÁ SABIA...




...que o Moraes se consagrava nessa...



...e que a taça ficava em boas mãos.



Quinta-feira tem mais.



2 do Millôr pro 5 de maio passado:



" Como é que é? O cara chega à velhice ou é ela que vem vindo?"



"As pessoas só começam a esconder a idade quando já não é mais possível."



Terça-feira, Maio 01, 2007


aleatório fulminante:

Pensamentos aleatórios que vêm à oficina do diabo. Tempo demais vagando sem dinheiro, tempo demais olhando pra TV desligada, tempo demais caçando pernilongos e torcendo para terem sangue dentro, tempo demais sem cadastro na biblioteca, tempo demais.
O nível de desemprego e o prazer que apenas os pensamentos inúteis podem oferecer.

- "River Plate" é apenas e tão somente um anglicismo pra "Rio da Prata". Nome em inglês e nenhum problema em representar o capital internacional são tradição no clube portenho. Assim como foi o patrocinado pela "Budweiser" quando o Boca ainda era "Quilmes" (e a Quilmes ainda não era AMBEV), hoje carrega um "Lubrax" nas costas. Daí a pensar que o "superclássico" argentino é uma espécie de crossover da Marvel daqueles "o que aconteceria se o Brasil só tivesse uma cidade grande e o são paulo e o vasco fossem um time só contra a torcida de flamengo e corinthians" é um passo. Ou uma associação aleatória. Até a faixa no peito com as cores amalgamadas ajuda a viajar assim.

- Vacalhau e binho. Vasco da Gama devia ser mesmo o Basco da Gama. Quanta demora pra entender um troço tão simples...


Domingo, Abril 29, 2007

!!!SANTOS SEMPRE SANTOS!!!

*DENTRO OU FORA DO ALÇAPÃO



HOJE É DIA DE FINAL.



*
Aquela manhã
*

na cidade

*

todos despertaram

*

com açúcar

*

nos lábios,

*

mas somente

*

perceberam

*

*

*

os que se beijaram

*

*

*

*

*

(Arthur Vinicius)














Aos poucos a cidade vai se recuperando e arrancando as carcaças de outdoors, repintando fachadas e olhando um pouco melhor prás nossas padarias, praças, etcetera, ao invés de comerciais de margarina. Uma sensação boa de ver o exército de pintores e pedreiros com suas escadinhas em tudo que é lugar, expondo umas arquiteturas já esquecidas debaixo de tanto neon e plástico colorido. A primeira foto é dum casarão entre a Domingos de Moraes e Vergueiro, emio árabe-fake, devia ser igreja, hoje é representação de vendedores de produtos ortodônticos. Tava escondido atrás de uma porrada de propagandas de ambos os lados. Vai voltar a ser visível.
Tem alguns que vão até fazer falta, deixar alguma saudade. Mas não tinha como tirar só uma parte. Não seria nada justo alguém decidir o que é de bom e mal gosto. Vamos aprender a cuidar de nossa decadência com alguma elegância, como Porto Alegre, Buenos Aires, Montevidéu.
Às vezes um tapa na poeira, uma mãozinha de tinta e uma dose de respeito à existência do lugar caem bem melhor que implodir e construir um prédio espelhado...
As fotos são de Tony de Marco.

Quarta-feira, Abril 25, 2007



"Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi."


Torquato Neto




- de um Weberiano se lamentando pela falta de capitalismo no país dos coronéis enquanto toma seu capuccino num café:
O que precisa é mais transporte público, por supuesto. Todo mundo sabe disso. Mas e aí?
Preferem se lamentar e dizer que são explorados do que tomar alguma atitude POLÍTICA.
As linhas de metrô de São Paulo e da Cidade do México foram inauguradas no mesmo ano, e hoje temos uma bem menor.
Estamos falando de megacidades de terceiro mundo, de colonização ibérica.
La misma mierda, por assim dizer. E no entanto essa diferença.
Acontece que nenhum candidato vence em São Paulo com a plataforma de mais Zona Azul e crescimento de linhas de transporte público.
Zé Povinho quer um carro do ano, mesmo porque ninguém acredita que o dinheiro arrecadado por Zona Azul vai pro Metrô.
Claro que a grana tinha que ir direto, sem passar pelo governo.
Nisso eu concordo. Põe inclusive os investidores pra receber e fiscalizar esse dinheiro o que já desonera o Estado também.
Agora, aqui é tudo um "esquemão". Quem tá dentro, tá dentro, "forever and ever, amén" .
As montadoras do ABC iam gritar o desemprego em massa na hora também.
Somos reféns de fábricas de automóveis, você sabe.
Cadê o capitalista que vê as linhas de trens como desenvolvimento e negócio, passível de lucro e geração de empregos?
Não me entenda mal, já fui comunista, carteirinha do Partidão e os caralho, mas nesse país eu tenho que ser o capitalista prá depois lutar contra ele. Além do quê, não tenho mais idade pra utopia. Vou morrer antes de qualquer uma começar a ser sonhada de novo.
Queria mesmo era ver que essa gente tava num rumo melhor, pelo menos.
Tenho filhos, netos. Nenhum deles quer voltar prá Italia. Nem eu, na verdade.
Bom, voltando ao assunto, eu, que moro em Moema, pagaria um plano mensal para usar o metrô a hora que quisesse, se pudesse chegar onde quero, ou preciso. Você não pagaria?
Os caras iam é lucrar, inclusive com esse capital fixo mensal, semestral, sei lá. Dinheiro que não é especulativo, é real e seguro; na medida em que o dinheiro pode ser seguro, claro.
E se de madrugada ele passasse só de hora em hora, e os investidores ainda lucrariam mais usando os trilhos para levar a carga que esses caminhões escrotos têm que carregar, causando acidentes e impedindo um cara de caminhar pela sua cidade. Era só ter terminais para os principais mercados municipais. Mercadão, Lapa, e outros em cada região.
Mas isso tá parecendo utopia, né não?
Pode deixar, o café é por minha conta.


Quinta-feira, Abril 19, 2007



A revista MURO chega ao número 4 e só agora paro pra postar por aqui, tão largado que está esse latifúndio. Paulo F. capitaneando a parada e agregando uma banca bem conhecida por essas plagas. Demoreeeei mas agora tenho pelo menos o link por aqui pros amigos que não conhecem ainda.

Já a revista NADA é só pra assinante. Quero mais é conhecer mesmo, tô deixando por aqui pra ver se algum dos camaradas conhece ou se interessa em assinar e contrabandear umas informaçõezinhas d'além mar. Cadê o Toledo pra descer o pau nos acadêmicos de buteco essas horas, hein?











(...) Mesmo um primeiro verso pode provocar um enrijecimento por trás dos olhos. Romances e filmes, por serem agitadamente modernos, impelem a gente para a frente ou para trás no tempo, ao longo dos dias, dos anos ou até de gerações. Mas, para apresentar suas observações e seus juízos, a poesia se equilibra na ponta de alfinete de um instante. Retardar o ritmo, parar completamente, para ler e compreender um poema é o mesmo que tentar adquirir uma habilidade arcaica, como erguer uma muralha de pedras ou hipnotizar trutas para pescá-las (...)

Ian McEwan, Sábado.



Luso feelings



quando formiga e arde

o nariz e o olho

engulo

choro com saliva ou qualquer

coisa que comprometa

a fala

a despedida é tão intrigante

quanto a saudade

desnecessária

ou quanto a rima

desnecessária

banho de água fria

se cura com um balde

de café

beijo a mão e aceno

para o espelho

o dedo do meio



Bruna Beber



Noturno com ar condicionado


O tédio infinito dos hotéis
de três estrelas, tardes que se estendem
em direção a noites povoadas

por dois ou três garçons indevassáveis
num bar onde nenhum turista húngaro
cochila diante da tevê autista

em que uma locutora silenciosa
exibe a três poltronas de pelúcia
duas fileiras de dentes de carnívora.



Paulo Henriques Britto, tungado de uma Piauí da casa da Fer...


(...) Recorro às ruínas de um espelho que encontro pelo chão, ainda não sou o ancião que presumo mereço, ainda não galguei por inteiro minha submissão ao Tempo, ainda não dobrei meus joelhos em adoração ao mistério vivo (...) já notaram aquela hora em que o Silêncio se apossa de tudo e nos condena a súditos eternos? (...) só entra aqui o que já sabe, e como já sabe não entra porque sabe que todo Éden é intransferível, se eu te mostrar o meu verás na minha arena nada mais que o aleijão do meu Sonho porque todo o Éden é intransferível, quando alguém descerra o Éden do outro e não for seu amante é melhor que fuja como de um abismo irrecusável, é melhor que abra todas as torneiras e se deixe inundar pelo mais avassalador escândalo porque o Éden de cada um é intransferível, mostrar meu próprio Éden é exibir uma festa arruinada, é expurgar do meu jardim imagens que querem viver consigo mesmas pois para isso foram feitas, não para a comunicação imediata, são para fruírem todo o tempo - então, privado de qualquer comunicação, me ajoelho diante de Afrodite e descubro que não há mais a dizer.


João Gilberto Noll, A Fúria do Corpo.

Sábado, Março 17, 2007



TALVEZ EU VÁ AO CINEMA HOJE À NOITE



eu poderia sair pra ver um filme triste hoje à noite
chorar escondido num Peep show
vestiria aquela velha jaqueta
de quando eu pertencia a uma eqipe de baloeiros
e desceria uma avenida qualquer
com as mãos enterradas nos bolsos
e olhos ajaponesados por causa dos cacos de chuva
talvez eu tentasse bisbilhotar
o guia cultural da cidade de uma garota no metrô
ela me convidaria pra tomar um café de máquina
e amanheceríamos num quarto desconhecido
de um bairro desconhecido
eu perguntaria à senhora da zona azul
onde eu poderia encontrar uma delegacia
pra fazer o B.O. de uma frase
mas desisitiria no caminho
e tiraria a manhã
pra atirar pedras nos trens



Sergio Mello

Segunda-feira, Março 05, 2007


Gregorio Gruber (Santos,1951-)






Avenida Sumaré





Anhangabaú







A caminho da Looservelt...

Domingo, Março 04, 2007


JE SUÍTICO


só muito tempo depois vieram me dizer

que eu não era o cara

- vai fazendo seus milagres e malabares

porque você é o cordeiro

e bico calado


Terça-feira, Fevereiro 27, 2007


Maicknuclear de Los Santos Angeles manda notícias dum busão rumo ao Pque. Edu Chaves.
Diz que tem as mãos emplacentadas e fuma um charuto em homenagem ao filho do puto que veio ao mundo.
Se chama "Dançando Valsa nos Salões do Inferno" e é uma descabaçada também.

!!!!!Tremei Califórnia!!!!!
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migalhas ....................................
Sexta-feira (dia 02) tem show dos Migalhas no Astronete, que abriu há pouco tempo lá na Consolação. Num conheço o pico e ouvi bem pouco da garagera suja deles, mas dá pra confiar no Fidelis, né não? Cueca paga deiz e mulher, sete...

Sábado, Fevereiro 24, 2007



BEVERAGE


para uma paixão de aparelho fixo
esquecida no éter do laboratório de ciências
e no sangue contaminado das seringas
dos tratamentos dentários

engarrafada por fabricantes de bebidas alcóolicas
para menores de 18 anos
e afogada nas banheiras
das festas sujas que freqüento

para uma paixão de bebedouro de colégio,
solúvel em tinta de caneta e
prometida nos comerciais da Garoto
no dia dos namorados


Bruna Beber








ALESSANDRA NEGRINI







DOS MARGARITAS






fazer um desenho nas costas da mão

despir a consciência das dores morais

jogar uma vaca do décimo andar

viajar sobre a lua que corre os sertões



uma ostra chilena

um beijo em Paris

se cortasse o cabelo

e mudasse o nariz

se Vital escrevesse a Constituição

se eu nunca quisesse quem nunca me quis



ser dois

e ser dez

e ainda ser um

se a vingança apagasse a dor que eu senti



seco

reto

isento à moral


se eu nunca lembrasse o estrago que eu fiz



Tudo isso me faria feliz

Absurdos me fariam feliz

Pero nada me hará tán feliz como dos margaritas

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007





CERTEZA DO AGORA - Juliano Garcia Pessanha






Porra, paulada na cabeça esse livro, parte final da trilogia iniciada com "Sabedoria do nunca" (1999) e "Ignorância do Sempre" (2000).
Já tinha ouvido o Mirisola falar tanto do cara e nunca tinha corrido atrás, mesmo com os títulos instigando.
Difícil dizer do que se trata. Ficção, ensaio, poesia fazem parte, mas ele filosofa em prosa, desculpem a expressão, mas "cartografa a própria existência".
Prefácio do Peter Pál Pelbart não me desestimulou, e o cara usa o vocabulário "esquizo" com propriedade também.
Segundo ele, uma tentativa de construir uma "heterotanatografia" no lugar de uma biografia ou autobiografia, já que estas não passariam de massificação-publicização da vida humana, blindagem identitária, e pan e tals.
Falando sobre "época-colégio", o "lugar-namoro", o "lugar-família", ou sobre o fato de sua "entidade-mãe" ter aprendido com um psicólogo dos anos 60 que tinha que imitar o "gesto facial de um sorriso" para ele não se tornar esquizofrênico, ou como esse "sorriso-mãe" nunca o convenceu e fez com que se percebesse como um exilado desde o nascimento:
"(...)aportava no interior de uma família que parecia não portar nenhuma marca de chegada nem reminiscência de partida(...)E é preciso dizer que logo nesse primeiro recuo corri o imenso risco de tornar-me um grito eterno e de cair para sempre na direção do nunca, a exemplo de uma grande quantidade de pessoas que conheci e com quem convivi, pessoas que se encontram dependuradas apenas num fiapo de palavra ou no fiapo de alguma esquisitice para não desaparecerem e para não sumirem para sempre, pessoas que são sistematicamente destruídas e aniquiladas pelos funcionários do bem, e os funcionários do bem, quer dependurados na velha caridade cristã, quer dependurados no moderno saber biológico-psiquiátrico, afastam constantemente e permanentemente qualquer possibilidade de relação humana com a dor humana(...)esse retrocesso aconteceu de um modo tal que enquanto eu retrocedia, simultaneamente eu me agarrava ao fiapo de uma pergunta e essa pergunta, na condição de primeiro estranhamento do mundo, protegeu-me do completo sumiço e do inteiro engolfamento pela escuridão, e eu pude, portanto, salvar-me do grito eterno pois converti-me, ao mesmo tempo, não só em grito eterno, mas em pergunta pela essência do mundo e pelo sentido da realidade."



E da diferença entre o cuco e o pássaro, deleuzianamente:
(...)"então, provavelmente haverá uma mudança de discurso e muitos passarão a falar de cucos, de linhas e da diferença, mas é necessário discriminar entre o falar de cucos, ou seja, falar sobre algo, e o morar em algo."(...)



Mooooora na filosofiiiaaa....